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Política

Lula chama saída de Flávio do Brasil de “vergonhosa” e dispara: “Quem não deve não teme”

Presidente Lula comenta sobre a viagem de Flávio Bolsonaro durante comemoração de seu aniversário no Palácio da Alvorada  |  Reprodução

Publicado em 28/10/2026, às 08h40   Reprodução   Lavínia Manso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), classificou como vergonhosa a saída de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), do Brasil, ao comentar as notícias sobre a viagem durante a comemoração de seus 81 anos, nesta terça-feira (27), no Palácio da Alvorada, em Brasília. Para Lula, a decisão do adversário derrotado na eleição presidencial indicaria “culpa na consciência”.

Fico imaginando que culpa tem na consciência um cidadão que acaba de perder as eleições e foge do seu país”, declarou o presidente.

Ele afirmou que tinha acabado de receber informações sobre o caso e ainda desconhecia os detalhes do deslocamento.

Flávio estava proibido de deixar o Brasil por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O prazo para entregar os passaportes à Polícia Federal (PF) terminou às 11h de terça-feira (27), sem que o senador apresentasse os documentos.

Lula compara viagem com sua permanência no país

Ao criticar o rival, Lula recordou que permaneceu no Brasil após perder eleições para Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Também mencionou Geraldo Alckmin e José Serra, que continuaram no país depois de serem derrotados por ele nas urnas.

O presidente afirmou ainda que recebeu convites para viajar ao exterior ou buscar proteção em uma embaixada quando foi alvo de acusações. Segundo seu relato, preferiu permanecer em território brasileiro e se apresentar à PF.

Quem não deve não teme”, disse.

Lula também acusou Flávio de mentir e de desrespeitar os próprios eleitores.

Esse ato de sair do Brasil é vergonhoso”, afirmou durante a comemoração no Alvorada.

Polícia Federal havia apontado risco de fuga

A retenção dos passaportes foi determinada em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz. O caso apura possíveis irregularidades relacionadas a empresas do advogado e plataformas de apostas. Ambos negam sociedade e práticas ilegais.

No pedido encaminhado a Moraes, a PF apontou a capacidade financeira do senador e a existência de estruturas de apoio no exterior como fatores que poderiam facilitar sua saída e permanência fora do Brasil.

Os investigadores também citaram uma declaração do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que havia recomendado ao irmão deixar o país em caso de derrota na disputa presidencial. Na segunda-feira (26), porém, Flávio afirmou que cumpriria a ordem judicial e que não pretendia sair do Brasil.

Governo americano anuncia concessão de vistos

As declarações de Lula ocorreram após a divulgação de notícias de que Flávio havia deixado o país com destino aos Estados Unidos. O Departamento de Estado americano informou que concederia vistos ao parlamentar e aos familiares, permitindo a entrada do grupo.

A manifestação do governo dos Estados Unidos não esclareceu se o senador já havia desembarcado em território americano naquele momento.

Além do processo que motivou as restrições aos passaportes, Flávio é investigado em outro inquérito sobre possíveis crimes ligados ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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