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Política

Levantamento aponta 35,5 mil votos após as 17h; vantagem de Lula foi de 4,4 milhões

Levantamento do TSE revela 35.521 votos computados após as 17h, inferior à diferença de 4,4 milhões entre os candidatos  |  Reprodução

Publicado em 26/10/2026, às 11h29   Reprodução   Lavínia Manso

Um levantamento baseado nos registros das urnas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou 35.521 votos computados após as 17h deste domingo (25), no segundo turno presidencial no Brasil. A análise dos horários ocorre no contexto da prorrogação autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos das campanhas que relataram obstáculos ao comparecimento dos eleitores.

O total é inferior à diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre os candidatos. Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), recebeu 48,21%.

Para chegar ao número de votos registrados depois das 17h, o levantamento examinou arquivos de funcionamento de 497.897 seções eleitorais. Esses documentos permitem consultar os horários das operações, mas não mostram em qual candidato cada eleitor votou.

Registros das urnas mostram horários, sem revelar escolha do eleitor

Conhecidos como logs, os arquivos registram automaticamente acontecimentos durante o funcionamento das urnas. Entre as informações disponíveis estão a abertura e o encerramento da votação, além dos horários em que os votos foram computados.

Esses registros são diferentes dos boletins de urna, documentos que apresentam a votação recebida pelos candidatos em cada seção eleitoral.

Também não se confundem com os Registros Digitais do Voto (RDVs), que armazenam os votos sem identificar os eleitores. Portanto, o levantamento dos horários não permite atribuir os 35.521 votos a Lula ou a Flávio.

As duas campanhas solicitaram ampliação do horário

A equipe de Lula recorreu ao TSE e ao STF após receber denúncias de dificuldades no transporte público. Os relatos mencionavam menos ônibus nas ruas, demora nas viagens e cobrança de passagens.

Na capital paulista, a campanha petista afirmou que cerca de 60% da frota circulava, apesar de uma determinação para disponibilizar todos os veículos. Também foram relatados problemas em Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará e Rio de Janeiro.

A campanha de Flávio pediu duas horas adicionais em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A justificativa incluía chuvas fortes, enchentes e interrupções no fornecimento de energia em locais de votação.

Pouco depois das 17h, Zanin autorizou a extensão até as 19h em todo o país. Posteriormente, esclareceu que a determinação alcançava somente as seções que ainda estavam abertas. A totalização foi interrompida durante a aplicação da medida.

Flávio contesta resultado, e presidente do TSE defende processo

Após a vitória de Lula, Flávio criticou a prorrogação e anunciou que recorreria à Justiça para tentar anular a eleição. 

O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, confirmou o resultado e disse ter telefonado aos dois candidatos após a apuração. Ele explicou que as urnas encerradas não poderiam voltar a receber votos. 

Segundo o ministro, o recebimento dos boletins de urna foi bloqueado temporariamente para evitar acesso antecipado aos resultados, inclusive pelo próprio tribunal. Nunes Marques afirmou que a equipe técnica superou as dificuldades, retomou a apuração e assegurou a confiança no processo eleitoral.

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