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Política

Justiça italiana aponta atuação de Moraes e derruba extradição de Carla Zambelli; entenda os motivos da decisão

Zambelli ainda enfrenta outro pedido de extradição por porte ilegal de arma, enquanto a Justiça italiana analisa os desdobramentos  |  Reprodução internet

Publicado em 12/06/2026, às 09h05   Reprodução internet   Redação

A Justiça italiana divulgou nesta sexta-feira (12) os fundamentos que levaram à anulação da extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil.

A decisão foi tomada pela instância máxima do Judiciário italiano e resultou na revogação da autorização que havia sido concedida anteriormente para o envio da ex-parlamentar às autoridades brasileiras.

O caso está relacionado à condenação de Zambelli por invasão de sistemas do Judiciário brasileiro e inserção de documentos falsos em plataformas ligadas ao Conselho Nacional de Justiça.

Segundo os magistrados italianos, houve problemas processuais que impediram a autorização da extradição, especialmente em relação ao papel desempenhado pelo ministro Alexandre de Moraes durante diferentes etapas do processo.

O que levou a Justiça italiana a barrar a extradição

No documento divulgado pela Corte Suprema de Cassação da Itália, os juízes afirmam que identificaram o que chamaram de "insuficiência e ilogicidade da fundamentação" no pedido de extradição.

O principal ponto destacado foi o entendimento de que houve uma concentração de funções atribuídas a Alexandre de Moraes ao longo do processo.

De acordo com a análise da Corte italiana, o ministro teria ocupado posições que, na visão dos magistrados, poderiam comprometer os princípios de imparcialidade e independência judicial exigidos pela legislação italiana para autorizar a entrega de um cidadão ao país requerente.

No documento divulgado pela Corte Suprema de Cassação da Itália, os juízes afirmam que identificaram o que chamaram de "insuficiência e ilogicidade da fundamentação" no pedido de extradição.

Segundo a decisão italiana, Moraes teria atuado em diferentes momentos como:
• Parte diretamente atingida pelos documentos falsificados
• Magistrado responsável por decisões na fase inicial
• Integrante do julgamento em instâncias posteriores
• Autoridade ligada à execução da condenação

Para a Justiça italiana, essa circunstância exigiria uma análise mais rigorosa antes da concessão da extradição.

Decisão reverte autorização anterior

A medida anulou um entendimento anterior da Corte de Apelações da Itália, que havia autorizado a extradição da ex-deputada.

Com a reversão da decisão, Carla Zambelli deixou a prisão e passou a responder ao processo em liberdade no território italiano desde o fim de maio.

A Corte Suprema de Cassação é considerada a mais alta instância judicial da Itália para análise desse tipo de recurso.

Relembre a condenação de Carla Zambelli

O pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro tinha como base a condenação da ex-parlamentar a 10 anos de prisão pelo STF.

Segundo as investigações, Zambelli teria contratado o hacker Walter Delgatti para acessar ilegalmente sistemas ligados ao Poder Judiciário.

A acusação aponta que documentos falsos foram inseridos nas plataformas oficiais, incluindo um suposto mandado de prisão contra Alexandre de Moraes que teria sido assinado pelo próprio ministro.

Também teria sido incluída uma falsa determinação para quebra do sigilo bancário do magistrado.

Acusação cita tentativa de desacreditar instituições

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a invasão dos sistemas teria como objetivo enfraquecer a credibilidade do Poder Judiciário e do sistema eleitoral brasileiro.

A acusação sustenta que a ação buscava criar um ambiente de instabilidade institucional que pudesse favorecer uma ruptura democrática após as eleições presidenciais.

Ex-deputada ainda enfrenta outro pedido de extradição

Apesar da decisão favorável no caso relacionado à invasão dos sistemas do CNJ, Carla Zambelli ainda responde a outro processo perante a Justiça italiana.

O segundo pedido de extradição está ligado à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal mediante ameaça com arma de fogo, em episódio ocorrido na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

Os dois processos envolvendo Carla Zambelli na Itália:
• Caso da invasão dos sistemas do CNJ: extradição anulada pela Suprema Corte italiana
• Caso do porte ilegal de arma e ameaça: processo continua em tramitação
• Ainda não há decisão definitiva das autoridades italianas sobre o segundo pedido

A expectativa agora é sobre os próximos desdobramentos do segundo processo, que permanece sob análise das autoridades judiciais italianas.

Classificação Indicativa: Livre


TagsCarla ZambelliJustiça italiana