Política
Publicado em 27/01/2026, às 07h05 Bruno Peres/Agência Brasil Malu Machado
O ativista potiguar Ivan Baron, que ganhou os holofotes do país ao subir a rampa do Palácio do Planalto na posse do presidente Lula, enfrenta agora um impasse sobre alianças partidárias. Alvo de críticas e acusações de "ingratidão" por parte de militantes de esquerda, Baron decidiu quebrar o silêncio sobre sua filiação ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Pré-candidato a deputado estadual, o pedagogo de 27 anos rejeita o que chama de "sequestro ideológico" da pauta da inclusão e justifica sua escolha pela legenda de centro como um movimento estratégico de viabilidade eleitoral, e não de ruptura com suas convicções progressistas.
Em entrevista à rádio Cidade, o influenciador foi enfático ao rejeitar o que chama de "picuinha ideológica". Para o pedagogo e influenciador, a pauta das pessoas com deficiência (PcD) é transversal e não deve ser monopólio de um único campo político.
Eu não me rendo a rótulos. Eu vou para o espectro que melhorar e incluir a vida das pessoas”, argumentou.
O ativista relatou episódios de hostilidade digital, sendo chamado de "ingrato" e "traíra". Ele rebateu os ataques lembrando que nunca foi filiado a outro partido, o que anula qualquer acusação de rompimento de fidelidade partidária.
A escolha pelo MDB não foi um acaso, mas uma estratégia de sobrevivência eleitoral. Baron deixou claro que não está entrando na política por "aventura" e que buscou uma sigla que oferecesse segurança e competitividade.
A articulação passou diretamente pelo vice-governador do RN, Walter Alves, e pelo presidente nacional da legenda, Baleia Rossi. Baron afirma que, apesar da sigla de centro, suas convicções permanecem as mesmas. O acordo foi selado sob uma condição: sua pauta de vida é inegociável.
Mesmo no centro, Ivan Baron faz questão de manter os pés no campo progressista. Ele reafirmou seu apoio à reeleição do presidente Lula em 2026, mas pregou uma política de diálogo, longe de radicalismos.
Com mais de 545 mil seguidores, Baron quer transformar o capital digital em mudanças legislativas. Jovem com paralisia cerebral, ele utiliza sua formação em pedagogia para explicar conceitos como o capacitismo, preconceito estrutural contra PcDs.
Para ele, a possível eleição de um deputado estadual com deficiência no Rio Grande do Norte não seria apenas uma vitória pessoal, mas um marco histórico para um segmento que ele considera "abandonado pelo poder público". "Todo mundo ganha quando algo é acessível", finalizou.