Política
Publicado em 27/11/2025, às 13h55 Fernando Haddad, atual ministro da Fazenda - Reprodução/CNN Brasil José Nilton Jr.
No mesmo dia em que a Receita Federal executou uma megaoperação contra fraudes no setor de combustíveis, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a necessidade de um diálogo direto com o governo dos Estados Unidos para conter esquemas de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (27), na porta do Ministério da Fazenda. Haddad detalhou que criminosos têm utilizado o estado norte-americano de Delaware como refúgio fiscal, enviando recursos brasileiros de forma ilegal e depois repatriando o dinheiro “lavado” sob aparência de investimento estrangeiro.
De acordo com ele, a operação mais recente identificou R$ 1,2 bilhão circulando nesse tipo de mecanismo fraudulento. O ministro afirmou que já discutiu o tema com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e com o presidente Lula, destacando a urgência de uma articulação internacional mais contundente.
Haddad adiantou também que a Polícia Federal irá atuar na recuperação de bens no exterior e acionará a Interpol para reforçar o combate à rede criminosa. Ele explicou que o Ministério da Fazenda já encaminhou ao Ministério Público Federal, no Rio de Janeiro, um relatório de 300 páginas com toda a movimentação financeira associada ao esquema.
A articulação, segundo o ministro, busca evitar que operações estruturadas à sombra de fundos internacionais sigam escapando da fiscalização tributária brasileira.
Nesta quinta-feira (26), a Operação Poço de Lobato foi deflagrada em cinco estados, com o objetivo de desmantelar um esquema de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Os mandados foram cumpridos na Bahia, no Distrito Federal, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo.
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A ação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, que recentemente fechou dezenas de postos nos estados do Maranhão, Piauí e Tocantins. A Receita identificou 17 fundos ligados ao grupo criminoso, somando patrimônio líquido de R$ 8 bilhões, muitos deles fundos fechados com apenas um cotista para criar camadas de ocultação.
Haddad reforçou que é necessário atuar “pelo andar de cima”, onde circulam os bilhões que sustentam atividades ilícitas. “Só hoje foram bloqueados R$ 8 bilhões. Na Carbono Oculto foram R$ 30 bilhões”, destacou.