Negócios
A suspensão da tarifa de 40% imposta pelos Estados Unidos, anuciada na última quinta-feira (20), trouxe alívio para os produtores brasileiros sobre cerca de 200 mercadorias do país e para uma pequena parcela do agronegócio potiguar.
Na ordem executiva publicada pela Presidência dos EUA, Donald Trump diz que a decisão foi tomada após conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as questões identificadas no Decreto Executivo 14.323". De acordo com a publicação, essas negociações ainda estão em andamento.
Entre os produtos do Rio Grande do Norte beneficiados pela medida estão o caju, a manga e a castanha. Mas ainda há setores do agronegócio do estado que amargam a sobretaxa do governo norte-americano.
O setor de fruticultura ainda enxerga como modesta a medida, já que os principais produtos do setor agrícola do estado ainda sofrem com a taxação.
"Ainda não é tão significativo para o setor agrícola potiguar, que tem como carro-chefe o melão e a melancia", diz Fábio Queiroga, do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte.
O setor do pescado também enfrenta dificuldades devido a sobretaxa de 50% segue em vigor desde agosto. O presidente do Sindipesca faz um alerta sobre a situação enfrentada pelo setor.
"Tá bem complicado e a tendência é piorar. No Rio Grande do Norte, nossa pesca, nossa vocação foi feita para dois tipos de pescado: a lagosta, que hoje está sendo exportada congelada para o mercado asiático e o pescado fresco, principalmente os atuns e afins. Então está complicado porque a gente não tem outro mercado para substituir e o mercado local não consegue absorver o produto", diz Arima França Filho, presidente do Sindipesca-RN.
Dados do Observatório da Indústria do Mais RN, da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), apontaram que, entre agosto e outubro de 2025 — período dos impactos do “tarifaço” — o estado exportou US$ 9 milhões para os EUA. O valor representa queda de 25%, o equivalente a US$ 3 milhões, na comparação com o mesmo período do ano passado.
A retração foi ainda mais intensa entre os produtos de maior peso na pauta potiguar, com um déficit de US$ 4,2 milhões (-40,8%) nas exportações dos principais itens. O pescado (atum) teve o pior desempenho, com queda de 72% e frustração de US$ 2,4 milhões em vendas externas. Em seguida aparecem o sal (-46%), as frutas (-29%), as pedras para construção (-29%) e os produtos de confeitaria (-27%).
O governo do estado informou que está analisando alternativas para minimizar os impactos. Uma das possibilidades discutidas é ampliar o escoamento da produção para o mercado interno e para países asiáticos.
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