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Política

Governo anuncia libertação em massa na Venezuela, mas números revelam o contrário?

Anúncio do governo é contestado por opositores e ONGs que pedem lista nominal dos libertados para verificar dados  |  Foto: Reprodução/TV Globo

Publicado em 14/01/2026, às 14h18   Foto: Reprodução/TV Globo   Giovana Gurgel

O governo da Venezuela afirmou ter libertado 400 pessoas apontadas pela oposição como presas políticas. O anúncio foi feito na noite de terça-feira (13) pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que apresentou o balanço como parte de um processo conduzido pelo Executivo para reduzir tensões no país.

Segundo Rodríguez, o número inclui 160 pessoas soltas em 23 de dezembro de 2024. As demais liberações teriam ocorrido após uma suposta invasão militar dos Estados Unidos, episódio no qual o presidente Nicolás Maduro teria sido sequestrado, de acordo com a versão oficial.

O anúncio, no entanto, foi imediatamente contestado por partidos de oposição e por organizações não governamentais que acompanham a situação dos presos. Esses grupos cobram a divulgação da lista nominal dos libertados para conferir a veracidade dos dados apresentados pelo governo.

Governo nega presos políticos

Durante sessão do Legislativo, Jorge Rodríguez afirmou que os detidos não são presos políticos, mas políticos que cometeram crimes contra a Constituição e as leis do país. Ele declarou que as liberações fazem parte de uma decisão deliberada do governo bolivariano.

De acordo com o presidente da Assembleia Nacional, as pessoas libertadas teriam incitado agressões externas e defendido uma intervenção militar estrangeira contra a Venezuela. Ele afirmou ainda que o objetivo da medida é promover a convivência pacífica e a unidade nacional.

Rodríguez respondeu a questionamentos feitos pelo deputado oposicionista Luís Florido e prometeu tornar pública a lista com os nomes dos libertados. Segundo ele, o processo continuará de forma unilateral, independentemente da pressão da oposição.

Oposição cobra transparência

Após a sessão, o deputado Luís Florido declarou que aguardará a publicação da lista oficial. Ele destacou que os números divulgados pelo governo não coincidem com os levantamentos feitos por organizações da sociedade civil.

Entre os libertados, segundo informações oficiais, está o ex-candidato à Presidência da Venezuela Enrique Márquez. Ele havia sido preso sob acusação de tentativa de golpe de Estado após contestar a reeleição de Nicolás Maduro, em julho de 2024.

Para a oposição, ainda há um número significativo de pessoas detidas por motivações políticas, o que reforça a necessidade de transparência por parte do governo.

Contagem divergente das ONGs

A organização não governamental Foro Penal estima que apenas 116 pessoas tenham sido libertadas, o que representaria cerca de 10% dos aproximadamente 800 presos políticos que a entidade afirma existirem no país. O presidente da organização, Alfredo Romero, questionou os dados oficiais em entrevista à emissora France 24.

Segundo Romero, o governo inclui em seus balanços pessoas que não se enquadram como presos políticos e não divulga listas detalhadas, o que dificultaria a verificação independente das informações.

Já o Observatório Venezuelano de Prisioneiros informou que, até a manhã desta quarta-feira (14), havia confirmação da libertação de 80 pessoas após o episódio envolvendo Nicolás Maduro, sendo 66 venezuelanos e 14 estrangeiros.

A entidade denunciou a falta de transparência e afirmou que famílias seguem aguardando libertações em massa, muitas delas permanecendo nas proximidades de presídios sem apoio ou informações oficiais.

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