Política
Publicado em 13/02/2026, às 08h27 João Gilberto/ALRN Malu Machado
O rompimento político anunciado pelo vice-governador Walter Alves (MDB) em 19 de janeiro começou a gerar exonerações em massa no primeiro e segundo escalões do Governo do Estado. Exatos 25 dias após Walter declarar apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), auxiliares indicados pelo vice deixaram a gestão de Fátima Bezerra (PT) nesta semana.
A primeira mudança de impacto ocorreu na Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern). Sérgio Rodrigues foi exonerado da presidência pela governadora, que nomeou George Marcos para acumular o cargo junto à Diretoria de Planejamento e Finanças. George é quadro de estreita confiança de Fátima, tendo trabalhado com ela na Câmara e no Senado.
Outras baixas confirmadas:
Durante café da manhã com a imprensa na quarta-feira (11), a governadora não poupou críticas à postura de seu vice. Confira as principais declarações:
Infelizmente, ele escolheu outro caminho. E a coisa se deu de uma forma muito abrupta, porque, até então, estava tudo pactuado para ele assumir o governo e apoiar o nome do nosso grupo."
Sobre a repercussão em Brasília, Fátima revelou que o Presidente Lula já está ciente:
O sentimento da direção nacional do PT é de muita decepção. Nós fomos surpreendidos. Acho que ele cometeu um equívoco, se precipitou. Talvez tenha jogado fora a chance mais especial de ser eleito governador do Estado."
Diferente dos outros nomes do MDB, a demissão de Luciano Santos (Secretário para Assuntos Federativos) não está nos planos de Fátima. O motivo é sua ligação com o presidente da Assembleia, Ezequiel Ferreira (PSDB), que segue aliado.
Luciano Santos se posicionou sobre sua permanência:
"Minha nomeação decorreu de convite direto da governadora em reconhecimento a um trabalho técnico e institucional e não de indicação partidária formal. Permaneço focado com lealdade às instituições."
Fontes internas do Governo do Estado afirmam que Fátima Bezerra não possui histórico de "perseguição política" e que manteria técnicos de outras siglas se a postura fosse colaborativa.
Em contrapartida, segundo fontes da gestão, os auxiliares de Walter Alves teriam passado a usar os cargos para fazer "campanha e proselitismo político" contra a linha do governo logo após o rompimento, o que tornou a convivência insustentável.