Política
Publicado em 26/01/2026, às 16h14 Brenno Carvalho/O Globo José Nilton Jr.
O presidente Lula (PT) se reuniu, no mês de dezembro de 2024, com o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em um encontro realizado no Palácio do Planalto que não constou na agenda oficial. A reunião, de acordo com informações do portal Metrópoles, aconteceu no gabinete presidencial, durou cerca de uma hora e meia e só veio a público meses depois.
O episódio contrasta com declarações recentes do próprio presidente Lula. Durante evento realizado em Maceió, na última sexta-feira (23), Lula afirmou que “falta vergonha na cara” de quem apoia Vorcaro.
O encontro em questão entre o presidente e o dono do banco teria sido articulado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, figura central na relação entre o governo e o Master.
Segundo informações obtidas pelo Metrópoles, Mantega foi contratado como consultor do Banco Master por um salário mensal de R$ 1 milhão, entre julho e novembro do ano passado. Nesse período, o ex-ministro recebeu ao menos R$ 16 milhões em honorários. A contratação teria ocorrido a pedido do líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner, que nega ter intermediado qualquer acordo.
Nos bastidores, a consultoria ao banco resolveu um impasse político. O presidente tentou indicar Mantega para cargos públicos, mas recuou após forte reação negativa do mercado financeiro. A ida para o setor privado encerrou a resistência e, diferentemente de outros ex-ministros, como Antonio Palocci, Mantega jamais fez acusações contra Lula no contexto da Lava Jato.
Na época da reunião no Planalto, os problemas financeiros do Banco Master já eram de conhecimento público. Mesmo assim, Mantega atuava como lobista junto ao governo para viabilizar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB).
Durante esse período, Lula mantinha embates públicos com o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reforçando o discurso de que os bancos privados eram entraves ao crescimento do país por conta dos juros elevados e da concentração do sistema financeiro.
De acordo com informações apuradas pelo portal Metrópoles, Lula solicitou a Galípolo que conduzisse o caso do Banco Master com imparcialidade ao assumir o comando do Banco Central.
O Banco Central acabou decretando a liquidação do Master, apontando uma fraude estimada em R$ 12 bilhões no sistema financeiro. Após a decisão, Guido Mantega encerrou oficialmente sua consultoria junto ao banco.