Política
Publicado em 26/01/2026, às 13h14 © Valter Campanato/Agência Brasil Giovana Gurgel
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), tem demonstrado irritação com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master.
Segundo informações divulgadas pelo Jornal Brasília, o presidente acompanha de perto o caso e avalia que a condução do processo tem provocado desgaste institucional à Corte, sinalizando a aliados que não pretende sair em defesa do magistrado.
Relatos atribuídos a auxiliares e publicados pela Folha indicam que Lula chegou a afirmar, em conversas reservadas, que Toffoli deveria renunciar ou se aposentar, ainda que não exista intenção de formalizar qualquer pedido de afastamento.
O principal desconforto do presidente estaria relacionado ao sigilo imposto ao inquérito e ao temor de que as investigações não avancem de forma transparente.
Lula pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre o caso, retomando um diálogo iniciado no fim do ano passado, quando já havia demonstrado preocupação com os rumos do processo.
Auxiliares relatam que o presidente se incomodou com notícias que apontaram vínculos de familiares do ministro com fundos ligados ao Banco Master, além da percepção de que o caso poderia terminar sem responsabilizações.
A interlocutores, Lula tem defendido que as apurações sigam até o fim, mesmo que atinjam políticos influentes, sejam eles aliados ou integrantes da oposição.
Segundo aliados, há avaliação no governo de que o inquérito pode alcançar nomes do centrão e também figuras próximas ao PT, o que reforça a necessidade de continuidade das investigações.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantém relações com políticos de diferentes campos, enquanto o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio da instituição, é próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado Federal.
Desde o fim de 2025, Lula monitora pessoalmente o andamento do inquérito e teria ficado intrigado com a decisão de Toffoli de impor sigilo elevado a um pedido da defesa de Daniel Vorcaro para levar o caso ao STF.
A desconfiança aumentou após reportagens revelarem contratos e relações de escritórios de advocacia ligados a ministros da Corte com interesses do Banco Master.
Em dezembro, Lula se reuniu com Toffoli no Palácio do Planalto, em almoço que contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na ocasião, o presidente afirmou que tudo o que fosse descoberto deveria ser levado adiante, mesmo sob sigilo.
Diante das críticas, Toffoli tem afirmado a interlocutores que não pretende deixar a relatoria do inquérito e que não vê elementos que comprometam sua imparcialidade.
O ministro sustenta que viagens e relações comerciais envolvendo familiares não interferem em sua atuação e lembra que o Supremo só reconhece impedimento ou suspeição mediante autodeclaração.
Indicado ao STF por Lula, Toffoli já acumulou outros episódios de desgaste com o presidente, como a decisão que impediu Lula de comparecer ao velório do irmão, Genival Inácio da Silva, em 2019, durante o período em que o petista esteve preso, episódio pelo qual o ministro pediu desculpas apenas em 2022.
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