Política
Publicado em 30/05/2026, às 11h25 Mayane Bezerra
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio criticou a fala de Lula sobre a decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
“O senhor já viu um presidente da República tratar integrantes do PCC e Comando Vermelho como ‘nossos criminosos’? Não, Lula. São seus criminosos”, afirmou o senador.
Na gravação, Flávio também disse que a soberania defendida por ele seria “a soberania do povo brasileiro” e afirmou que milhões de pessoas vivem sob o domínio de facções criminosas no país.
“O povo brasileiro não aguenta mais viver com medo por causa desse tipo de gente”, declarou.
Veja o vídeo:
A fala foi uma reação direta ao discurso feito por Lula na sexta-feira (29), durante anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe. Na ocasião, o presidente acusou Flávio Bolsonaro de “não ter vergonha na cara” e afirmou que o senador teria ido aos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil.
Durante o evento, Lula comparou a atitude do parlamentar ao episódio histórico da Inconfidência Mineira e citou Joaquim Silvério dos Reis, conhecido por delatar os inconfidentes.
“Ele não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir para os Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou o presidente.
Ainda no discurso, Lula defendeu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, que tramita no Senado, e pediu apoio para medidas de combate ao crime organizado.
A reação ocorre após o governo do presidente Donald Trump anunciar a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras dos Estados Unidos.
A medida amplia o poder de atuação das autoridades americanas em investigações financeiras e operações ligadas ao combate ao terrorismo internacional, além de permitir sanções econômicas contra grupos e pessoas associadas às facções.
O tema gerou debates no cenário político e diplomático brasileiro. Integrantes do governo federal e especialistas demonstraram preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional e eventuais consequências econômicas e financeiras.
Entre os receios apontados estão possíveis reflexos no sistema financeiro brasileiro, incluindo restrições envolvendo empresas investigadas por conexão com organizações criminosas.
A oposição atribuiu a decisão americana às articulações feitas por aliados de Jair Bolsonaro nos Estados Unidos, incluindo a agenda cumprida por Flávio Bolsonaro em Washington. Já o Palácio do Planalto adotou cautela diante do tema e evitou apoiar diretamente a classificação das facções como organizações terroristas.