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Política

Flávio Bolsonaro diz que não reconhece resultado e anuncia que pedirá anulação da eleição

Após derrota para Lula, Flávio Bolsonaro anuncia que recorrerá à Justiça para contestar o resultado das eleições de 2022  |  Joédson Alves/Agência Brasil

Publicado em 26/10/2026, às 07h37   Joédson Alves/Agência Brasil   Lavínia Manso

O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro, afirmou neste domingo (25), após ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela Presidência da República, que não reconhece o resultado e pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação da eleição. O candidato atribuiu sua contestação à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o horário de votação no país.

Na parcial nacional das 22h15, com 99,99% das seções totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), aparecia com 64.249.053 votos, ou 51,78% dos válidos. Flávio tinha 59.822.251 votos, equivalentes a 48,22%, uma diferença de 4.426.802 votos.

Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou o senador.

Até as informações disponíveis na reportagem, não havia confirmação de que a campanha tivesse protocolado a ação nem detalhamento dos fundamentos jurídicos que apresentaria.

Candidato questiona aplicação da prorrogação

Flávio criticou as diferenças na aplicação do horário ampliado entre municípios e estados. Na avaliação do candidato, a situação impede que ele saiba quantos votos poderia ter recebido nos locais em que a votação já havia terminado.

Eu nunca vou saber se, num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter. É inexplicável o que aconteceu”, afirmou.

Em outro momento, declarou:

O que aconteceu no dia de hoje não foi algo normal. Foi algo inaceitável”.

A decisão de Zanin ocorreu após a campanha de Lula relatar dificuldades no transporte de eleitores. A campanha de Flávio também havia solicitado mais tempo para votar em São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em razão das condições climáticas.

Presidente do TSE afirma que apuração foi preservada

O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou na noite de domingo (25) que a extensão da votação até as 19h não comprometeu o processo eleitoral. Segundo ele, as equipes técnicas precisaram adaptar os procedimentos para dar continuidade à apuração.

Kassio explicou que milhares de urnas já estavam encerradas quando a determinação foi tomada. Como os equipamentos não permitem reabrir a votação após o fechamento, a Justiça Eleitoral teve de administrar seções em situações diferentes.

Entre as providências adotadas, o ministro citou a suspensão temporária do recebimento dos boletins de urna, que registram os votos de cada seção, para evitar acesso antecipado aos dados. Também houve reforço na segurança de servidores e mesários. A declaração sobre esses procedimentos não constitui julgamento de um eventual pedido de anulação.

Fachin pede respeito às urnas e diálogo entre os Poderes

Em nota divulgada às 22h11, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, defendeu o respeito à vontade dos eleitores e a pacificação do país. Sem mencionar candidatos ou partidos, afirmou que o fim da disputa deve permitir o diálogo e a construção de soluções para os problemas nacionais.

Fachin também destacou a estabilidade institucional e a necessidade de independência e respeito mútuo entre Executivo, Legislativo e Judiciário. A manifestação não representa uma decisão judicial sobre a contestação anunciada por Flávio, cujas críticas, por si só, não comprovam irregularidades.

O resultado do segundo turno reverteu a liderança obtida por Flávio na primeira etapa da eleição. Com a vitória, Lula assegura seu quarto mandato na Presidência da República, previsto para o período de 2027 a 2030.

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TagsLulaFlávio bolsonaroEleição presidencial