Política
Publicado em 16/02/2026, às 14h27 Foto: TV Globo / Reprodução Giovana Gurgel
A estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Carnaval do Rio, neste domingo (15), terminou no centro de uma nova disputa política. Durante o desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma ala que representava conservadores dentro de latas de conserva gerou forte reação de lideranças da oposição.
Batizada de “Neoconservadores em Conserva”, a ala levou à Marquês de Sapucaí foliões fantasiados como embalagens de alimentos com o rótulo “Família em Conserva”. A arte estampava a imagem de um casal heterossexual com dois filhos.
Segundo a escola, a proposta era retratar grupos que se opõem a pautas defendidas pelo presidente, como a rejeição a privatizações e o fim da escala de trabalho 6×1.
A agremiação indicou quatro segmentos como símbolos do chamado neoconservadorismo, o agronegócio, uma mulher de classe alta, defensores da ditadura militar e evangélicos.
O desfile começou às 22h13 e teve duração de 79 minutos. O enredo apresentado foi “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
O presidente acompanhou a apresentação em camarote cedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro e desceu à avenida para cumprimentar dirigentes da escola após a passagem pela Sapucaí.
O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), anunciou que a legenda pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Lula, questionando o uso de recursos públicos no custeio das alegorias. Em rede social, afirmou que houve ataques pessoais e ofensa à família.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do Partido Novo (Novo), declarou que pretende recorrer à Justiça por entender que houve preconceito religioso. Para ele, a representação ultrapassou os limites do debate político.
A deputada federal Caroline de Toni (PL), de Santa Catarina, também criticou a ala e afirmou que o desfile teve como alvo famílias e valores conservadores.
A Acadêmicos de Niterói sustenta que a proposta artística dialoga com o enredo e com o momento político do país. A escola é estreante no Grupo Especial e levou à avenida um desfile marcado por referências diretas ao cenário nacional.
Até o momento, a agremiação não informou se pretende se manifestar oficialmente sobre as críticas.
A polêmica amplia o embate entre governo e oposição em pleno ano eleitoral, transferindo para a avenida do samba um debate que já domina o ambiente político brasileiro.
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