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Política

Trump reduz tarifas de produtos brasileiros; veja como decisão afeta o Brasil

Com o novo decreto, alguns produtos exportados não terão mais tarifas, mas o país ainda enfrenta sobretaxa  |  Ricardo Stuckert/PR

Publicado em 15/11/2025, às 14h18   Ricardo Stuckert/PR   Leonardo Silva

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto nesta sexta-feira (14) para isentar determinados produtos agrícolas de tarifas recíprocas, que estão em vigor desde abril deste ano.

De acordo com nota publicada pela Casa Branca, entre os produtos que deixarão de estar sujeitos às tarifas recíprocas estão: café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau, especiarias, bananas, laranjas, tomates, carne bovina e fertilizantes adicionais (alguns fertilizantes não sofreram a taxação).

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Trump disse em pronunciamento, que o ajuste foi “um pequeno recuo” e afirmou não considerar necessárias novas reduções de tarifas no curto prazo e, declarou ainda esperar queda nos preços de produtos como o café.

Pressão interna

O decreto faz parte de um grande esforço de Trump e de suas principais autoridades para atender às crescentes preocupações e pressão dos norte-americanos com os preços persistentemente altos dos alimentos, o que tem impactado o bolso da população dos Estados Unidos.

Pesquisas de boca de urna realizadas no início do mês registraram frustração dos eleitores com a situação econômica, refletida na votação em candidatos democratas em eleições fora de ano eleitoral.

Tarifaço

A ordem faz referência às tarifas recíprocas anunciadas inicialmente no dia 2 de abril, quando Trump chamou a data de “Dia da Libertação”. Naquele momento, o Brasil recebeu a alíquota mínima de 10%. Em julho, porém, Trump anunciou uma sobretaxa de 40% contra os produtos brasileiros, totalizando uma tarifa de 50%.

De acordo com a Casa Branca, a medida modifica "o escopo das tarifas recíprocas que ele [Donald Trump] anunciou inicialmente em 2 de abril de 2025".

Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos impôs um tarifaço global a produtos importados de vários países, e confirmou uma taxa de 10% para os produtos brasileiros. No evento, ele comunicou a aplicação de tarifa de 20% sobre a União Europeia, 34% sobre a China e 46% sobre o Vietnã.

Governo brasileiro mantém cautela

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que ainda está analisando a Ordem Executiva assinada por Donald Trump. Na noite desta-sexta-feira (14), o ministro se manifestou sobre a decisão da Casa Branca.

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou que a permanência da sobretaxa de 40%, aplicada exclusivamente ao Brasil, cria distorções e segue um bloqueio relevante para as exportações nacionais.

Geraldo Alckmin: Corte tarifário dos EUA é positivo, mas distorções persistem  | Foto:  Valter Campanato/Agência Brasil

"Há uma distorção que precisa ser corrigida. Todo mundo teve 10% [pontos percentuais] a menos. Só que, no caso do Brasil, que tinha 50%, ficou com 40%, que é muito alto. Você teve um setor muito atendido que foi o suco de laranja. Era 10% e zerou. Isso é US$ 1,2 bilhão [a mais nas exportações]. Então zerou, ficou sem nenhum imposto", declarou Alckmin.

De acordo com Alckmin, a medida reflete avanços diplomáticos recentes, e cita as conversas do presidente Lula com Trump, além das reuniões entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, como parte do trabalho diplomático brasileiro.

O encontro de Lula e Donald Trump durou cerca de 50 minutos e ocorreu durante a realização da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Na ocasião, o presidente brasileiro pediu a Trump a suspensão imediata do tarifaço contra as exportações brasileiras.

47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) | Ricardo Stuckert/PR

Setor produtivo reage

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou em nota  que está avaliando se a Ordem Executiva se aplica "à tarifa base de 10%, à de 40% [adicional] ou a ambas".

"O Cecafé está em contato com seus pares americanos, neste momento, para analisar, cuidadosamente, a situação e termos noção do real cenário que se apresenta", diz o comunicado do conselho.

Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considera positiva a decisão do governo norte-americano de reduzir as tarifas aplicadas à carne bovina brasileira.

"A medida reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países e reconhece a importância da carne do Brasil, marcada pela qualidade, pela regularidade e pela contribuição para a segurança alimentar mundial", informou.

Classificação Indicativa: Livre


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