Política
Publicado em 28/10/2026, às 07h36 Andressa Anholete / Senado Lavínia Manso
O senador Rogério Marinho, do Partido Liberal (PL), afirmou nesta terça-feira (27), em Brasília, que os principais integrantes da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro não foram avisados sobre os planos do aliado de deixar o Brasil. Após uma reunião de emergência da legenda, o coordenador da campanha disse ter tomado conhecimento das informações pela imprensa e demonstrou surpresa, pois o grupo discutia a atuação de Flávio como líder da oposição.
Segundo Marinho, nem o parlamentar nem seus advogados haviam explicado aos aliados o que estava acontecendo. O senador potiguar afirmou que também não tinha informações próprias sobre o paradeiro de Flávio.
Ao relatar as tentativas de contato, Marinho contou que recebeu uma mensagem do aliado por volta das 8h daquela terça-feira. No texto, Flávio teria informado que precisava de um tempo e que conversaria com o grupo posteriormente.
A possibilidade de Flávio assumir uma posição de comando na oposição havia sido discutida na segunda-feira (26), segundo Marinho. O encontro ocorreu após a derrota do candidato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), no segundo turno de domingo (25).
Marinho relatou que esteve com Flávio para agradecer a votação recebida na disputa presidencial. A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.
Diante das notícias sobre a viagem, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, convocou lideranças estaduais para uma reunião de emergência. O objetivo foi alinhar o posicionamento público do partido e discutir os próximos passos da legenda.
Durante a manifestação, o líder da oposição no Senado também criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre os passaportes de Flávio. O parlamentar estava obrigado a entregar os documentos à Polícia Federal (PF) e proibido de sair do país.
Marinho associou o momento da medida cautelar à proclamação do resultado eleitoral pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na avaliação dele, a sequência dos acontecimentos deveria ser examinada pela sociedade. O senador sugeriu que a decisão poderia anteceder outras medidas que considera persecutórias.
Segundo relatos, Flávio demonstrou irritação com a determinação judicial e manifestou receio de ser preso. Apesar disso, aliados o aconselharam a permanecer no Brasil durante uma reunião na segunda-feira (26), no escritório de um advogado, no Lago Sul, em Brasília.
Embora informações divulgadas na terça-feira apontassem que Flávio já estaria nos Estados Unidos, o comunicado posterior do governo argentino estabeleceu outra cronologia. Segundo a Direção Nacional de Migrações, ele entrou na Argentina às 22h50 de terça-feira (27), acompanhado da mulher e das duas filhas.
O grupo atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves e, às 23h30, embarcou em um voo particular com destino a Guayaquil, no Equador. O comunicado argentino não confirmou uma chegada aos Estados Unidos naquela terça-feira.
A saída ocorre na reta final do mandato de Flávio no Senado. O parlamentar ficará sem mandato a partir de fevereiro de 2027, pela primeira vez em 24 anos. Seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, também viajou aos Estados Unidos após perder a eleição presidencial de 2022, cerca de dois meses depois da votação.
Com informações da CNN Brasil