Polícia
por Lavínia Manso
Publicado em 28/10/2026, às 10h03
A Polícia Civil do Rio Grande do Norte (PCRN) e a Polícia Civil de Sergipe (PCSE) deflagraram nesta quarta-feira (28), em Natal e Nísia Floresta, a Operação Acesso Negado para combater um grupo suspeito de furtar celulares em grandes eventos no Nordeste. A ação busca cumprir 14 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão para investigar a participação dos envolvidos nos furtos, na receptação, no desbloqueio e na venda dos aparelhos.
Até o balanço divulgado, sete pessoas haviam sido presas, sendo seis na capital potiguar e uma em Nísia Floresta. Os policiais também encontraram um celular com registro de furto e apreenderam drogas, uma balança de precisão e outros materiais.
Além de identificar quem participava da subtração dos dispositivos, a investigação busca esclarecer o caminho percorrido pelos celulares até a comercialização. As equipes apuram ainda possíveis tentativas de acessar contas e dados pessoais das vítimas.
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O ponto de partida da apuração foi o furto de um celular durante o Pré-Caju de 2025, em Aracaju, capital de Sergipe. O rastreamento levou os investigadores a uma hospedagem utilizada por pessoas que haviam viajado de outro estado para acompanhar a festa.
A partir dessa localização, os policiais identificaram veículos, responsáveis por locações, pagamentos de hospedagens e conexões entre os investigados. Segundo a apuração, há indícios de que o grupo planejava viagens para eventos com grande concentração de público, organizando transporte, acomodação e tarefas.
Parte dos suspeitos seria responsável pelos furtos, enquanto outros ficariam encarregados de guardar, transportar e retirar os celulares dos locais. O repasse imediato dos dispositivos entre integrantes estaria entre as estratégias para dificultar a recuperação dos aparelhos e a identificação dos envolvidos.
As diligências também apontaram possíveis procedimentos para remover contas dos proprietários, formatar os celulares e consultar a Identificação Internacional de Equipamento Móvel (IMEI). Os aparelhos seriam posteriormente negociados com compradores e receptadores.
Outra frente investiga o possível uso de engenharia social, com tentativas de induzir as vítimas a fornecer informações que facilitassem o acesso aos dispositivos e às contas vinculadas. Foram encontrados registros relacionados a ferramentas de chamadas automatizadas, modelos de voz e mecanismos de coleta de dados.
Esses elementos podem estar associados ao chamado “vishing”, fraude que utiliza ligações ou contatos simulados para obter códigos, senhas e outras credenciais. A hipótese permanece sob análise técnica, e a polícia ainda busca esclarecer se as ferramentas foram efetivamente utilizadas e quem teria participado dessas práticas.
Os investigadores encontraram indícios de que os vínculos entre integrantes permaneceram ao longo de 2026, com referências a novos deslocamentos para festas em diferentes cidades do Nordeste. A análise dos materiais apreendidos deverá ajudar a esclarecer a atuação de cada suspeito e identificar outros possíveis envolvidos.
O nome Acesso Negado faz referência tanto aos mecanismos de proteção dos celulares quanto à tentativa de interromper as diferentes etapas do esquema investigado, desde o furto até o possível acesso aos dados dos donos dos aparelhos.
A Polícia Civil orienta que vítimas de furto ou roubo registrem boletim de ocorrência e preservem o IMEI e os dados de rastreamento. Essas informações podem contribuir para localizar os celulares e auxiliar as investigações.
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