Política
Publicado em 18/09/2026, às 19h27 Reprodução: Youtube Jussier Lucas
Os três primeiros blocos do debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte, promovido pela TV Ponta Negra nesta sexta-feira (18), começaram com apresentações e perguntas de jornalistas, mas rapidamente deram espaço ao confronto direto entre os concorrentes. Ao longo das rodadas, a Operação Mederi, investigação da Polícia Federal que envolve a gestão de Allyson Bezerra à frente da Prefeitura de Mossoró, tornou-se o principal assunto das cobranças dirigidas ao candidato.
O debate reúne Allyson Bezerra (União Brasil), Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (PSOL), com mediação da jornalista Micarla de Sousa. O encontro tem cinco blocos. A transmissão é realizada pela TV Ponta Negra, pela Rádio 95 Mais FM e pelo YouTube da emissora.
No primeiro bloco, cada candidato teve um minuto para se apresentar. A ordem começou com Cadu de Lula, seguido por Robério Paulino, Allyson Bezerra e Álvaro Dias. Depois das apresentações, os quatro responderam a perguntas feitas por jornalistas sobre temas considerados centrais para a próxima gestão do Rio Grande do Norte.
Entre os assuntos abordados estiveram o saneamento básico e as obras previstas para uma eventual nova gestão; a situação das contas públicas do Estado, incluindo o déficit apontado nas contas e os repasses aos municípios, além das medidas que seriam adotadas para equilibrar as finanças e de onde viriam os recursos para isso.
Os jornalistas também questionaram os candidatos sobre estratégias para combater a influência de facções criminosas entre os jovens e, por fim, sobre a origem dos recursos necessários para colocar em prática as propostas apresentadas durante a campanha.
A dinâmica mudou no segundo bloco. Os candidatos passaram a fazer perguntas diretamente uns aos outros, com tema livre, criando o primeiro momento de confronto direto entre os concorrentes.
No terceiro bloco, a dinâmica continuou com perguntas entre os candidatos, também sobre temas livres, mas com a ordem definida por sorteio. A regra estabelecida foi que o primeiro candidato a fazer uma pergunta seria o último a responder naquele bloco.
Foi nessa etapa que a Operação Mederi passou a dominar a discussão.
Cadu de Lula direcionou sua pergunta a Allyson Bezerra e levou o tema para a investigação. O candidato petista questionou quem seria a “Fátima” mencionada em áudios relacionados à operação e fez referência à governadora Fátima Bezerra.
“Eu conheço a minha Fátima”, disse Cadu, em referência à governadora. Em seguida, questionou Allyson: “E você? Quem é essa a sua Fátima?”.
Allyson respondeu afirmando que os adversários estavam utilizando o debate para atacá-lo, em vez de apresentar propostas. O candidato também declarou que a operação não teria encontrado irregularidades contra ele e voltou a defender sua honestidade. Na resposta, ainda mencionou o fato de Cadu de Lula ter recorrido a outro nome político para se lançar candidato ao Governo do Estado.
Na réplica, Cadu voltou ao assunto e afirmou que Allyson não havia respondido ao questionamento sobre a Operação Mederi. O candidato petista contestou a afirmação de que a investigação teria terminado e chamou a atenção dos eleitores para o tema.
Na sequência, Allyson direcionou uma pergunta a Álvaro Dias sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Na resposta, Álvaro abordou o tema educacional, mas também retomou a Operação Mederi e utilizou a mesma expressão mencionada anteriormente por Cadu de Lula ao questionar Allyson.
Allyson, na réplica, voltou a apresentar ações e propostas de sua gestão em Mossoró e defendeu os resultados obtidos enquanto esteve à frente do município.
Álvaro, por sua vez, retomou a Operação Mederi e afirmou que Allyson estaria desconversando diante das perguntas relacionadas à investigação.
A sequência fez com que o assunto, que havia aparecido inicialmente na pergunta de Cadu, voltasse ao centro do debate em uma segunda rodada consecutiva.
Na vez de Álvaro Dias fazer uma pergunta, o candidato do PL escolheu o professor Robério Paulino como interlocutor e questionou o que ele pensava sobre a Operação Mederi.
Robério também direcionou sua resposta para a investigação e fez uma crítica direta à candidatura de Allyson.
“Ele nem deveria estar aqui como candidato”, afirmou Robério Paulino ao se referir a Allyson e à Operação Mederi.
Com a sequência de perguntas e respostas, o terceiro bloco concentrou sucessivas referências à investigação envolvendo a gestão de Allyson em Mossoró. Cadu de Lula, Álvaro Dias e Robério Paulino fizeram questionamentos relacionados ao caso, enquanto Allyson utilizou suas respostas para defender a própria atuação e apresentar argumentos sobre sua gestão.
Diante das referências à investigação, Allyson Bezerra pediu direito de resposta para contestar a afirmação de que teria solicitado o trancamento da Operação Mederi.
Em sua fala, o candidato voltou a defender sua honestidade e afirmou que, cerca de oito meses antes, havia pedido que a investigação deixasse de tramitar sob segredo de Justiça e tivesse seu conteúdo aberto.
Allyson também declarou que deseja que todo o material relacionado à operação seja tornado público, incluindo informações que envolvam seu próprio celular, citado no contexto da investigação.
A Operação Mederi é uma investigação da Polícia Federal que vem sendo utilizada como tema de confronto entre os candidatos durante a campanha. Nesta semana, a Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte também analisou uma disputa envolvendo propaganda de Álvaro Dias que fazia referência à operação e negou pedido de direito de resposta apresentado por Allyson.
Nos três primeiros blocos do debate da TV Ponta Negra, o tema deixou de aparecer apenas como uma referência à trajetória política de Allyson e passou a ocupar parte central das perguntas e réplicas entre os candidatos. A discussão ainda deve continuar nos dois blocos restantes do encontro.