Política
Publicado em 26/11/2025, às 10h40 Eduardo Bolsonaro é acusado de tentar interferir em julgamento de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. - Reprodução youtube Dani Oliveira
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu de forma unânime transformar o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em réu pelo crime de coação. O julgamento foi encerrado na madrugada desta quarta-feira (26), no plenário virtual da Primeira Turma, que acompanhou integralmente o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes. Participaram da decisão os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia.
Com o recebimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), passa a tramitar na Suprema Corte uma ação penal contra o parlamentar. O processo segue agora para a fase de instrução, etapa destinada à oitiva de testemunhas, produção de provas e realização do interrogatório do deputado.
Acusação aponta atuação nos EUA para interferir no julgamento
de Jair Bolsonaro
A PGR atribui a Eduardo Bolsonaro a participação em uma articulação internacional voltada a pressionar o STF durante o julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
Segundo as investigações, o deputado está nos Estados Unidos desde fevereiro e teria defendido medidas como:
→ suspensão de vistos de ministros do STF e seus familiares;
→ sanções econômicas ao Brasil;
→ aplicação da Lei Magnitsky por autoridades americanas.
Essas ações, segundo a acusação, buscariam constranger ministros da Corte e influenciar o resultado do julgamento que resultou na pena de 27 anos e 3 meses de prisão para o ex-presidente.
Moraes aponta tentativa de criar ambiente de instabilidade institucional
No voto que embasou a abertura da ação penal, Alexandre de Moraes destacou que há “relevantes indícios” de que as condutas do parlamentar tinham como objetivo provocar instabilidade institucional no Brasil para tentar alterar o julgamento de Jair Bolsonaro.
As condutas de Eduardo Nantes Bolsonaro tinham como objetivo criar um ambiente institucional e social de instabilidade, com aplicação de crescentes sanções a autoridades brasileiras e prejuízos econômicos ao Brasil, como modo de coagir os ministros do Supremo Tribunal Federal a decidir favoravelmente ao réu Jair Messias Bolsonaro”, registrou Moraes.
Próxima etapa será a fase de instrução
Com o processo oficialmente aberto, o STF dará início a:
• colheita de depoimentos;
• produção de provas;
• realização de diligências;
• e posterior interrogatório do réu.
A partir dessas etapas, a Corte decidirá se condena ou absolve o deputado.
Linha do tempo: o caso Eduardo Bolsonaro
Fevereiro de 2024
— Eduardo Bolsonaro deixa o Brasil rumo aos Estados Unidos, alegando compromissos políticos e questões de segurança.
— Investigadores apontam que, a partir desse período, ele teria buscado interlocução com autoridades americanas para defender sanções contra o Brasil e contra ministros do STF.
Junho a Agosto de 2024
— Relatórios da PGR indicam movimentações do deputado em Washington e contatos com grupos favoráveis a sanções internacionais.
— Surgem os primeiros indícios de tentativa de aplicar a Lei Magnitsky contra ministros do STF.
Setembro de 2024
— O STF inicia a análise sobre possível crime de coação praticado por Eduardo Bolsonaro.
— A PGR apresenta denúncia formal citando tentativas de influenciar julgamentos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outubro de 2024
— Moraes levanta novos elementos sobre interferências internacionais atribuídas ao deputado.
— O caso é enviado para julgamento no plenário virtual da Primeira Turma.
25 de novembro de 2024
— O STF condena Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar tentativa de golpe de Estado.
Madrugada de 26 de novembro de 2024
— Primeira Turma do STF, por unanimidade, aceita denúncia da PGR.
— Eduardo Bolsonaro torna-se réu pelo crime de coação, acusado de tentar criar ambiente de instabilidade institucional para favorecer o pai.
Próximos passos
→ Início da fase de instrução: depoimentos, diligências, perícias e interrogatório.
→ Encerrada essa etapa, o caso retorna para sentença da Primeira Turma.