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Política

Dino manda Polícia Federal investigar ataques a imagens religiosas no Brasil

Ministro Flávio Dino determina apuração de ataques a imagens religiosas em várias regiões do Brasil, incluindo vandalismo em igrejas  |  Luiz Silveira/STF

Publicado em 30/09/2026, às 11h25   Luiz Silveira/STF   Lavínia Manso

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (30) que a Polícia Federal investigue relatos de ataques a imagens religiosas em diferentes regiões do Brasil. O magistrado também acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliar a necessidade de abertura de um processo, após receber informações sobre episódios de vandalismo nos últimos meses.

Entre as ocorrências citadas estão a destruição de imagens de santos em igrejas e estabelecimentos comerciais, ataques a terreiros de religiões de matriz africana e o incêndio de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Segundo Dino, os relatos chegaram ao gabinete por diferentes meios e apontam uma “aparente onda de ataques” a símbolos religiosos. Os episódios mencionados abrangem localidades da Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Alagoas, Minas Gerais, Mato Grosso e Pará.

Ministro cita imagens quebradas e ataque com machado

Na Bahia, a manifestação menciona o vandalismo contra uma paróquia de Salvador, onde uma imagem religiosa foi destruída, e a denúncia de uma mãe de santo contra um pastor pela destruição de um assentamento de Exu em um terreiro de Santo Amaro.

Também aparecem relatos de imagens de santos destruídas em uma loja de Londrina, no Paraná, e dentro da Catedral de São Pedro, em Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Em Alagoas, foi citado um ataque a uma imagem de Nossa Senhora no bairro da Jatiúca, em Maceió.

Outros episódios envolvem um terreiro de umbanda na Grande Belo Horizonte, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida quebrada com machado em uma capela de Mato Grosso e outra incendiada às margens da rodovia federal BR-163, em Novo Progresso, no Pará.

Decisão ocorre em meio a disputa sobre Nossa Senhora Aparecida

A ordem de investigação foi expedida no mesmo dia de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre publicações que associavam o candidato Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), e setores da direita a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

Flávio Bolsonaro negou que exista uma proposta nesse sentido e acusou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de envolvimento em episódios de desinformação.

No domingo (27), Dino havia suspendido uma decisão do ministro André Mendonça que determinava a retirada dessas postagens das redes sociais. Após recurso, o ministro Luiz Fux suspendeu a determinação de Dino.

Liberdade religiosa é citada na manifestação

Ao relatar o recebimento das informações sobre os ataques, Dino afirmou que sua decisão anterior buscava preservar a liberdade religiosa, especialmente a dos participantes do culto a Nossa Senhora Aparecida.

O ministro informou que, depois daquela decisão, chegaram ao gabinete notícias de diferentes partes do país sobre a destruição de imagens religiosas. Os relatos motivaram o encaminhamento aos órgãos responsáveis pela apuração.

A liberdade de pensamento, consciência e religião é protegida pelo artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Essa proteção abrange a possibilidade de ter, mudar ou não seguir uma religião, assim como manifestar crenças individualmente ou em comunidade.

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TagsVandalismoNossa senhora aparecidaAtaques a imagens religiosas