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Estudante de Jornalismo da UFRN tem pesquisa sobre inteligência artificial aprovada em congresso internacional

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Ana Beatryz Fernandes investiga a influência da inteligência artificial na produção de conhecimento e suas desigualdades  |   BNews RN - Divulgação Divulgação
Jussier Lucas

por Jussier Lucas

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Publicado em 03/11/2026, às 18h11



A percepção de que notícias publicadas em diferentes portais locais apresentavam estruturas e conteúdos semelhantes levou a estudante de Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Ana Beatryz Fernandes a investigar a influência da inteligência artificial na produção de conhecimento. O estudo desenvolvido por ela, em parceria com o professor Antonino Condorelli, foi aprovado para apresentação em um congresso internacional sobre mídia e ecologia.

Intitulado “Pluriversalizar a inteligência artificial: caminhos contracoloniais desde o Sul Global”, o artigo será apresentado no 9º Congresso Internacional Media Ecology and Image Studies (MEI), que acontece de 16 a 19 de novembro, em formato virtual. O evento reúne pesquisadores de oito países.

A pesquisa questiona a ideia de que a inteligência artificial seja neutra ou universal. Os autores analisam como a concentração dos recursos tecnológicos e a predominância de referências ocidentais no desenvolvimento dessas ferramentas podem reproduzir desigualdades e relações históricas de poder.

Pesquisa questiona quem define os caminhos da inteligência artificial

O trabalho aborda três dimensões da chamada colonialidade da inteligência artificial. A primeira é a infraestrutura, relacionada à concentração de recursos tecnológicos e à exploração de dados e trabalho. A segunda trata da própria concepção de inteligência e do predomínio de determinados modelos de conhecimento. Já a terceira discute o alinhamento, ou seja, quem estabelece os valores e critérios éticos incorporados aos sistemas.

Como alternativa, o artigo propõe a pluriversalização da inteligência artificial, com tecnologias capazes de considerar diferentes culturas, saberes e formas de existência. A perspectiva contracolonial defendida no estudo também busca ampliar a autonomia dos povos do Sul Global diante das estruturas que concentram o desenvolvimento tecnológico.

Em entrevista à UFRN, Ana Beatryz explicou que a proposta é questionar a noção de uma inteligência artificial universal e defender a possibilidade de desenvolver sistemas mais plurais, autônomos e socialmente justos.

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Experiência no jornalismo motivou investigação

O interesse pelo tema surgiu durante a experiência da estudante no mercado de trabalho jornalístico. Ao acompanhar a produção de notícias em portais e blogs locais, ela percebeu semelhanças na forma como os conteúdos eram construídos e passou a questionar os efeitos da inteligência artificial sobre a diversidade da informação.

“Quando você vai para os eixos locais, você sente que os blogs, os portais parecem que está todo mundo copiando o outro. Parece que é uma notícia só que todo mundo saiu replicando”, relatou.

A partir dessas observações, o diálogo com o professor Antonino Condorelli ampliou a discussão para questões como o extrativismo de dados, o funcionamento dos algoritmos e as relações de poder presentes nas tecnologias digitais. O desenvolvimento do artigo envolveu leituras, levantamento bibliográfico e discussões entre a estudante e o orientador.

Trabalho integra grupo de pesquisa da UFRN

O artigo está vinculado ao projeto “Colonialidade Digital, uma proposta de conceituação de possíveis caminhos de ir contra a colonialidade tecnológica” e ao grupo de pesquisa Descom, fundado e coordenado por Condorelli, no Departamento de Comunicação da universidade.

A aprovação para o congresso representa um marco na trajetória acadêmica de Ana Beatryz, que pretende seguir carreira científica. A estudante também destacou a oportunidade de apresentar uma pesquisa desenvolvida no Rio Grande do Norte em um espaço de discussão internacional.

Para ela, a participação representa a possibilidade de levar a produção acadêmica da universidade e do Nordeste a pesquisadores de outros países. A experiência também reforçou a decisão de continuar os estudos sobre as relações entre tecnologia e sociedade.

“Eu penso que foi um ano de consolidação de saber que eu desejo seguir a carreira científica, a carreira acadêmica”, afirmou.

Classificação Indicativa: Livre

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