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Política

De olho no custo do crédito, Lula avalia encontro com arquiteto do Plano Real para debater guinada nos juros

Presidente Lula busca alternativas para reduzir a Selic com economista que ajudou a criar o Plano Real, visando a recuperação econômica.  |  Foto: reprodução

Publicado em 01/11/2026, às 18h39   Foto: reprodução   Ranyere Fonseca

A condução da política macroeconômica do país entrou na mira de novas rodadas de diálogo no Palácio do Planalto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia uma reunião em Brasília com o economista André Lara Resende, internacionalmente reconhecido como uma das mentes por trás da criação do Plano Real, que estabilizou a moeda nacional na década de 1990. A conversa tem como pano de fundo a busca por alternativas técnicas para forçar um recuo consistente na taxa Selic e remodelar o arranjo fiscal no arranque do novo mandato.

Embora interlocutores da equipe econômica tratem a confirmação da agenda com prudência institucional, a aproximação reflete o interesse do chefe do Executivo em confrontar visões conservadoras de mercado com teses heterodoxas de peso. Ao colocar no centro da mesa um formulador histórico que participou diretamente da superação da hiperinflação brasileira, o governo busca respaldo de autoridade acadêmica para defender que o estrangulamento da atividade produtiva decorre diretamente da rigidez do Banco Central na manutenção de juros elevados.

Estratégia de choque para descer a Selic

O plano desenhado pelo economista propõe um rompimento com o modelo tradicional de aperto monetário, prevendo um cronograma acelerado de flexibilização financeira.

Tese contesta foco exclusivo no corte de gastos

A fundamentação teórica de Lara Resende, sintetizada no manifesto "Eu Acuso: uma proposta para eliminar os juros absurdos", ataca o consenso que culpa apenas o desembolso da máquina pública pelo endividamento soberano.

A eventual incorporação das teses do pai do Plano Real ao repertório discursivo do governo adiciona forte peso político à disputa travada com a cúpula da autoridade monetária. Se levadas à prática, as diretrizes defendidas por André Lara Resende redefinem a dinâmica entre política fiscal e monetária no país, apostando que o alívio na cobrança de juros da dívida pública é o caminho mais célere para recuperar a capacidade de investimento do Estado sem comprometer a estabilidade do poder de compra.

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TagsBanco centralLuiz inácio lula da silvaGoverno Brasileiro