Política
Publicado em 10/03/2026, às 13h02 Foto: Luiz Silveira/STF Giovana Gurgel
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou que a investigação sobre possíveis vínculos entre integrantes da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro será conduzida até as últimas consequências. Segundo o magistrado, a apuração seguirá “doa a quem doer”, com o objetivo de preservar a credibilidade da instituição.
A declaração ocorreu nos bastidores do tribunal e foi reforçada em reuniões internas realizadas nos últimos dias. O caso envolve menções a ministros do STF em dados extraídos do celular do banqueiro, investigado por supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master.
Na noite de segunda-feira (9), Fachin se reuniu com o relator do processo, o ministro André Mendonça, para discutir os elementos da investigação e o avanço das apurações.
Entre os nomes mencionados nas informações analisadas estão os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. As citações surgiram a partir de dados obtidos no celular de Daniel Vorcaro durante as investigações.
Segundo os investigadores, Alexandre de Moraes teria trocado mensagens com o banqueiro em 17 de novembro, data em que Vorcaro foi preso pela primeira vez.
Outro ponto que chamou atenção no caso envolve um contrato firmado entre Viviane Barci, esposa de Moraes, e o Banco Master para prestação de consultoria jurídica. O acordo teria valor aproximado de R$ 129 milhões.
No caso do ministro Dias Toffoli, o inquérito menciona a participação de familiares em negócios ligados ao setor empresarial. De acordo com a investigação, parentes do magistrado são sócios da empresa Maridt.
A empresa possuía 33% de participação no resort Tayayá. Posteriormente, essa fatia foi vendida a fundos de investimento ligados ao pastor Fabiano Zettel, apontado como cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro.
Dias Toffoli deixou a relatoria do processo no STF em 12 de fevereiro, decisão que ocorreu em meio ao avanço das apurações.
Durante encontro com representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e das 27 seccionais da entidade, Edson Fachin afirmou que as investigações serão conduzidas com rigor.
O presidente do Supremo declarou que “nada será colocado debaixo do tapete” durante o andamento das apurações.
Na mesma reunião, Fachin voltou a defender a criação de um código de conduta para magistrados dos tribunais superiores, com regras voltadas à ética e à transparência.
A proposta de estabelecer normas específicas para a conduta de integrantes da Corte provocou divergências dentro do STF.
Em sessão plenária, Alexandre de Moraes afirmou que a magistratura brasileira já possui diversas restrições legais e criticou a ideia de novas regras.
Dias Toffoli também se manifestou contra a proposta e defendeu que magistrados possam participar de empresas. Já o decano Gilmar Mendes declarou não ser contrário à iniciativa, mas avaliou que não vê necessidade imediata de criar novas diretrizes para a atuação dos ministros.
Classificação Indicativa: Livre