Política
Publicado em 18/03/2026, às 12h51 Reprodução/Internet Giovana Gurgel
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal decidiu avançar sobre um novo eixo da investigação ao aprovar a convocação da empresária e influenciadora Martha Graeff. A medida foi tomada com base em elementos reunidos pela Polícia Federal (PF), considerados estratégicos para o andamento das apurações.
As mensagens analisadas pelos investigadores indicam trocas de conteúdo entre Graeff e o empresário Daniel Vorcaro, apontado como figura central no caso. Nos diálogos, surgem referências a encontros com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, o que elevou o interesse da comissão sobre o depoimento.
A solicitação foi apresentada pelo senador Marcos do Val e reforçada pelo relator Alessandro Vieira, que destacaram a relevância das conversas apreendidas para esclarecer possíveis conexões e influências no esquema investigado.
Em sentido oposto, a comissão rejeitou a convocação do presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, barrando sua participação no colegiado. O pedido havia sido protocolado pelo senador Humberto Costa, que defendia a necessidade de ouvi-lo.
Na justificativa, Humberto Costa mencionou declarações públicas de Valdemar sobre doações eleitorais feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, durante as eleições de 2022. Segundo os dados citados, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu três milhões de reais, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, teria recebido dois milhões de reais do mesmo doador.
A Polícia Federal aponta que Zettel, atualmente preso, faria parte de um grupo associado a Vorcaro, supostamente responsável por intimidar adversários e pessoas ligadas às investigações em curso.
Outro ponto de tensão envolveu o ex-diretor de fiscalização do Banco Central. O depoimento de Paulo Sérgio de Souza estava previsto para ocorrer no mesmo dia, mas acabou esvaziado após decisão do ministro André Mendonça.
O magistrado retirou a obrigatoriedade da oitiva e assegurou ao ex-dirigente o direito de comparecer sem responder às perguntas, caso optasse por permanecer em silêncio. A medida alterou o rumo da sessão e reduziu o impacto esperado do depoimento.
Souza foi alvo de buscas da Polícia Federal no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Durante sua gestão, entre 2019 e 2023, ele autorizou a aquisição do Banco Máxima por Vorcaro, instituição que posteriormente passou a operar sob o nome de Banco Master.
Em decisão anterior que autorizou diligências, André Mendonça citou mensagens que levantam suspeitas sobre a atuação do ex-diretor. Nos registros, Souza teria orientado Vorcaro sobre comportamentos em reuniões com o presidente do Banco Central.
A interpretação dos investigadores é de que poderia haver interferência em favor de interesses privados dentro de um órgão regulador, o que amplia a gravidade das suspeitas. O material segue sob análise e deve influenciar os próximos passos da comissão.
Com novas frentes abertas e depoimentos estratégicos no radar, a CPI do Crime Organizado no Senado Federal indica que a investigação entra em uma fase mais sensível, marcada por conexões políticas, financeiras e institucionais.
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