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Política

Conversas, saques e “envelope”: veja o que a PF encontrou envolvendo sócios da Dismed e contratos em Mossoró

Relatórios indicam que Dismed recebeu mais de R$ 8 milhões de prefeituras, com saques fracionados para evitar fiscalização  |  Reprodução: Blog do Dina

Publicado em 15/05/2026, às 17h44   Reprodução: Blog do Dina   Jussier Lucas

Uma investigação da Polícia Federal revelou novas conversas e movimentações financeiras envolvendo os sócios da Dismed Distribuidora de Medicamentos e contratos públicos firmados com prefeituras do Rio Grande do Norte. O material faz parte da Operação Mederi e aponta suspeitas de repasses ilícitos ligados a contratos na área da saúde.

As informações foram divulgadas em apuração exclusiva do jornalista Dinarte Assunção e mostram diálogos, saques em dinheiro vivo e referências a percentuais que, segundo a Polícia Federal, podem indicar pagamento de propina em municípios potiguares.

Entre os registros obtidos pela investigação está uma conversa de março de 2022 entre Oseas Monthalggan Fernandes Costa, sócio-administrador da Dismed, e o cunhado Maycon Lucas Zacarias Soares.

Nas mensagens, Maycon envia uma foto da sede da Prefeitura de Mossoró para combinar a entrega de um “envelope” a Oseas, que estava dentro do prédio público naquele momento.

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A PF não detalhou o conteúdo do envelope. Dias depois da conversa, a Dismed recebeu quase R$ 140 mil do Fundo Municipal de Saúde de Mossoró. Segundo a investigação, no mesmo dia, parte do valor teria sido transferida para contas ligadas aos próprios sócios da empresa e familiares.

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PF aponta padrão de saques e cita possível divisão de propina

De acordo com os relatórios da investigação, a Dismed recebeu mais de R$ 8 milhões de prefeituras entre maio e outubro de 2024. Desse total, cerca de R$ 2,2 milhões teriam sido sacados em espécie.

A maior parte das retiradas foi realizada por Maycon Lucas Zacarias Soares, cunhado de Oseas, enquanto outra parcela foi sacada diretamente pelo sócio-administrador da empresa.

Segundo a Polícia Federal, algumas operações teriam sido fracionadas em valores abaixo de R$ 50 mil para evitar comunicação automática ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Em uma escuta ambiental realizada no escritório da Dismed, em Mossoró, Oseas aparece mencionando uma suposta divisão de valores envolvendo percentuais atribuídos a pessoas identificadas como “ALLYISON” e “FÁTIMA”. A PF afirma que “ALLYISON” seria uma referência ao então prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.

A investigação também aponta que familiares dos sócios teriam sido utilizados para armazenamento de dinheiro em espécie e movimentações bancárias. Em mensagens analisadas pela PF, a esposa de Maycon aparece confirmando o transporte de valores guardados em casa.

Segundo a apuração, a Dismed ampliou rapidamente o volume de contratos públicos nos últimos anos. A empresa teria movimentado mais de R$ 65 milhões em uma única instituição financeira entre 2018 e 2023.

Além de Mossoró, a investigação cita contratos firmados com fundos municipais de saúde de cidades como Tibau, Serra do Mel, Upanema, Patu, Porto do Mangue, Campo Grande, Triunfo Potiguar, Areia Branca e Grossos.

A Polícia Federal afirma que as apurações seguem em andamento para identificar o destino dos recursos, possíveis beneficiários e eventual participação de agentes públicos no esquema investigado.

Classificação Indicativa: Livre


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