Política
Publicado em 22/04/2026, às 09h44 Reprodução internet Redação
O Tribunal de Contas da União (TCU) colocou fim a um período de questionamentos ao aprovar, por unanimidade, a contratação de navios utilizados como hospedagem durante a COP30, realizada em Belém (PA).
A decisão, tomada nesta quarta-feira (22), valida o modelo adotado pelo Governo Federal e reforça a legalidade de uma operação que movimentou mais de R$ 350 milhões.
A estratégia foi coordenada pela Embratur, que utilizou a operadora Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda. para viabilizar a locação das embarcações, diante do déficit hoteleiro da capital paraense durante o evento internacional.
TCU valida modelo e destaca vantagem econômica
Relator do processo, o ministro Bruno Dantas apontou que a contratação apresentou “plausibilidade da fundamentação técnica, jurídica e estratégica”, além de estar sustentada por estudos prévios consistentes.
O Tribunal também concluiu que o modelo adotado foi mais vantajoso do que a alternativa de contratação direta dos navios:
- Contrato considerado regular por unanimidade
- Modelo indireto avaliado como mais econômico
- Alternativa direta exigiria cerca de 50 milhões de euros iniciais
- Possibilidade de abatimento com vendas privadas foi diferencial
O valor final executado, de aproximadamente R$ 350,2 milhões, ficou abaixo do teto estimado inicialmente, de R$ 454 milhões, reforçando o argumento de economicidade.
Como funcionou a contratação
A operação foi estruturada a partir de uma articulação entre diferentes órgãos do governo federal.
- Secretaria Especial da COP30 acionou a Embratur
- Embratur contratou a Qualitours
- Qualitours subfretou navios de:
- MSC Cruzeiros
- Costa Cruzeiros
A escolha por uma intermediadora ocorreu para viabilizar o modelo financeiro e operacional da contratação.
Ligação empresarial levanta questionamentos
A operação ganhou repercussão também por envolver o empresário Marcelo Cohen, proprietário da Qualitours. Ele é apontado como sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em um empreendimento hoteleiro de luxo em Campos do Jordão (SP).
Além disso, a Qualitours integra a holding BeFly, criada com apoio de fundos ligados ao Banco Master, o que ampliou o debate sobre possíveis conexões empresariais.
Governo nega irregularidades
Em resposta, a Embratur afirmou que todo o processo seguiu critérios legais e foi realizado por meio de chamamento público.
A agência também destacou que o Banco Master não participou da operação e que a estrutura financeira foi garantida pelo banco BTG Pactual, responsável pela emissão de carta fiança.
A Qualitours apresentou todos os documentos legalmente exigidos para atestar idoneidade e capacidade de execução do contrato”, informou a Embratur.
O que dizem as empresas envolvidas
A holding BeFly afirmou que mantém operação independente e regular, apesar de relações financeiras anteriores com o Banco Master.
“Os compromissos seguem sendo regularmente honrados, sem qualquer irregularidade”, declarou a empresa.
Já a Qualitours reforçou que foi contratada dentro das exigências técnicas do projeto.
“A empresa reafirma a conformidade da contratação e dos serviços prestados”, informou em nota.
Segurança jurídica e impacto da decisão
A validação unânime do TCU encerra o debate institucional sobre a contratação e garante segurança jurídica ao modelo adotado pelo governo federal.
Além disso, a decisão consolida a operação como uma solução logística para um dos principais desafios da COP30: a limitação da rede hoteleira de Belém diante da demanda internacional.
Com isso, o governo sustenta que conseguiu assegurar infraestrutura adequada para o evento, mantendo critérios de transparência e eficiência no uso de recursos públicos.