Política
Publicado em 05/03/2026, às 14h59 Reprodução/Vídeo Giovana Gurgel
Uma ação política realizada dentro da Universidade de São Paulo (USP) terminou em confusão generalizada e deixou estudantes feridos na tarde desta quarta-feira (4). O episódio ocorreu na praça do relógio da Cidade Universitária, no bairro do Butantã, zona oeste da capital paulista, após a instalação de uma barraca com mensagem contra o aborto.
O estande foi montado pelo vereador de São Paulo Lucas Pavanato, do Partido Liberal (PL). A estrutura exibia um cartaz com a frase “aborto é assassinato”, iniciativa que, segundo o parlamentar, tinha como objetivo dialogar com estudantes sobre o tema.
Durante o ato, o pré-candidato a deputado federal pelo Rio Grande do Norte, Josemar Varela, também esteve presente no local acompanhando o momento em que a mobilização ganhou repercussão dentro do campus.
A presença do vereador e de sua equipe provocou reação imediata de estudantes que estavam na universidade. Um grupo ligou uma caixa de som e iniciou gritos de protesto contra o político, entoando palavras de ordem enquanto se aproximava do estande.
Com o aumento da tensão entre os grupos, a situação evoluiu rapidamente para empurrões, agressões físicas e troca de acusações entre estudantes e apoiadores do parlamentar. Parte da equipe que acompanhava Pavanato era composta por seguranças armados.
Segundo relatos de alunos, durante o tumulto integrantes da equipe do vereador teriam utilizado spray de pimenta para dispersar os manifestantes. Estudantes também reagiram e a confusão se espalhou pelo espaço central do campus.
No momento em que o vereador tentava deixar o local em um veículo, um estudante posicionou uma bicicleta à frente do carro. Testemunhas afirmam que ele foi empurrado e agredido com socos e chutes por um grupo de pelo menos cinco pessoas.
O jovem precisou ser levado ao hospital com suspeita de lesão no tendão de Aquiles. Outros estudantes relataram cortes e hematomas após a confusão.
Entre eles está Francisco Napolitano Viotto, diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que registrou boletim de ocorrência sobre o caso.
Em declaração à imprensa, Lucas Pavanato afirmou que foi até a universidade com a intenção de dialogar com os estudantes e que a reação de sua equipe ocorreu em legítima defesa.
Segundo o vereador, objetos teriam sido arremessados em sua direção durante o protesto. Ele relatou que uma garrafa foi lançada contra sua cabeça e que um líquido foi jogado sobre ele, provocando ardência.
O parlamentar também afirmou que seu carro foi danificado e que equipamentos da equipe foram furtados durante o tumulto. Uma vereadora de Praia Grande que o acompanhava, Eduarda Campopiano, também do Partido Liberal, teria sido agredida por um homem, e o caso deve ser registrado em ocorrência policial.
Em nota oficial, a USP repudiou qualquer tipo de violência dentro do campus e destacou que a instituição deve permanecer como espaço de debate plural e democrático.
A reitoria afirmou que a liberdade de expressão deve ser preservada, desde que respeitados os princípios da convivência republicana e do respeito entre diferentes visões de mundo.
Já o DCE Livre da USP declarou ser comprometido com a defesa da universidade pública e criticou a presença do vereador no campus, classificando a ação como provocação política.
Antes do ato no Butantã, o vereador havia realizado iniciativa semelhante na Faculdade de Direito da USP, localizada no centro da capital paulista. Na ocasião, estudantes decidiram ignorar a presença do parlamentar.
De acordo com alunos, ações desse tipo vêm ocorrendo com frequência na Cidade Universitária. Em 2025, integrantes de um grupo chamado União Conservadora e o vereador Lucas Pavanato estiveram no campus em ao menos oito oportunidades.
Os estudantes afirmam que essas visitas geralmente envolvem gravações com celulares e câmeras para produzir conteúdos voltados às redes sociais, muitas vezes com o objetivo de gerar confrontos e narrativas críticas ao ensino superior público. A reitoria informou que, em ocasiões anteriores, solicitou reforço de segurança e acionou a Secretaria de Segurança Pública do estado.
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