Política
Publicado em 11/07/2026, às 18h17 Imagem: Reprodução Mayane Bezerra
A Câmara dos Deputados divulgou neste sábado (11) uma nota oficial em reação à decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de R$ 119,5 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no âmbito da investigação sobre um suposto esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares.
O documento é assinado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que classificou a decisão como uma "indevida intervenção judicial no mérito de atividade típica do Parlamento".
Na nota, a Câmara afirma que a decisão do ministro não aponta desvio, abuso ou aplicação irregular de recursos públicos e sustenta que a distribuição de emendas parlamentares ocorre dentro das regras vigentes e dos acordos firmados entre os Poderes perante o próprio STF.
O texto também rebate a interpretação sobre a atuação de assessores parlamentares. Segundo a Casa, a autorização para que servidores operacionalizem a indicação de emendas, seguindo orientações das lideranças partidárias, faz parte da rotina administrativa dos gabinetes e não configura irregularidade.
Ao final da manifestação, Hugo Motta afirma que a Câmara continuará exercendo suas atribuições com transparência, respeito à ordem jurídica e independência do Poder Legislativo.
A reação ocorre um dia após Flávio Dino determinar o bloqueio dos bens de Valdemar Costa Neto. Na decisão, o ministro afirmou haver "veementes indícios" de que o presidente do PL, mesmo sem exercer mandato parlamentar, teria participado diretamente da definição do destino de recursos públicos por meio de um suposto arranjo paralelo para distribuição de emendas.
Na sexta-feira (10), em entrevista ao programa 3 em 1, da Jovem Pan, Valdemar negou qualquer irregularidade. O dirigente afirmou que faz parte da atuação política receber pedidos de prefeitos e encaminhar sugestões aos parlamentares sobre a destinação das emendas. Segundo ele, a defesa sustentará no STF que não houve direcionamento de recursos para empresas nem qualquer ilegalidade na distribuição das verbas.