Política
Publicado em 14/03/2026, às 10h11 Imagem: Reprodução Mayane Lins
Após a decisão da maioria dos ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o empresário precisou receber atendimento médico no presídio federal onde está sob custódia, em Brasília.
Segundo interlocutores ligados à defesa, Vorcaro teve um surto dentro da cela, momento em que teria ferido as mãos ao socar as paredes do local. Ainda de acordo com essas fontes, durante o episódio ele teria gritado nomes de políticos e autoridades com quem manteve relações financeiras, reclamando que essas pessoas não estariam atuando para ajudá-lo a sair da prisão.
Horas antes do episódio, Vorcaro havia decidido trocar sua equipe de defesa. O criminalista José Luís Oliveira Lima assumiu o caso no lugar do advogado Pierpaolo Bottini.
Nos bastidores políticos, a mudança foi interpretada como um sinal de que o banqueiro pode avançar para um acordo de delação premiada. Bottini teria restrições ao uso desse instrumento jurídico e também possui entre seus clientes potenciais nomes que poderiam ser citados em uma eventual colaboração, especialmente políticos ligados ao Centrão.
Outro advogado que atuava no caso, Roberto Podval, ainda avalia se continuará na defesa. A tendência, no entanto, é que ele deixe o processo devido à sua proximidade com o ministro do STF Dias Toffoli, que poderia ser citado em uma eventual delação.
O novo defensor de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, é considerado um dos criminalistas mais conhecidos do país. Entre seus clientes em casos de grande repercussão estão o ex-ministro José Dirceu, no escândalo do Mensalão; o doleiro Alberto Youssef, na Operação Lava Jato; o ex-presidente da Caixa Econômica Federal Pedro Guimarães; o médico Roger Abdelmassih e, mais recentemente, o general Braga Netto, no julgamento da chamada trama golpista.
Como revelou a CNN Brasil, interlocutores do banqueiro já teriam sondado a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a possibilidade de um acordo de delação premiada.
De acordo com relatos feitos à emissora, as conversas foram preliminares e tiveram como objetivo avaliar a disposição das autoridades caso o empresário decida colaborar com as investigações relacionadas ao Banco Master.
Entre aliados de Vorcaro, há a avaliação de que ele passou a considerar essa possibilidade após a prisão, como forma de tentar conter o avanço das investigações sobre familiares.
O cunhado do empresário, Fabiano Zettel, também está preso. Já o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, foi citado pela Polícia Federal por supostamente ocultar cerca de R$ 2,2 bilhões pertencentes a vítimas do Banco Master, valores que estariam registrados em seu nome na gestora Reag.