Política
Publicado em 14/07/2026, às 06h48 Hugo Barreto/Metrópoles Lavínia Manso
O Banco Master consultou, em julho de 2024, o escritório de advocacia Barci de Moraes, ligado à família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre os riscos jurídicos da captação de recursos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). O parecer concluiu que a instituição financeira estava apta a receber investimentos desses fundos, mas fez alertas sobre possíveis riscos de corrupção e conflitos de interesse nas operações.
O documento foi elaborado em um momento em que o Banco Master já enfrentava uma crise de credibilidade no mercado financeiro. A análise jurídica foi assinada por três advogadas do escritório, entre elas uma filha e uma cunhada do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo informações obtidas com exclusividade pelo portal Metrópoles, o parecer apontava que não havia impedimento legal para que o banco captasse recursos dos fundos previdenciários de servidores públicos estaduais e municipais. No entanto, o texto ressaltava a necessidade de atenção aos riscos relacionados à condução dessas operações.
Nos meses seguintes à emissão do parecer, a Polícia Federal (PF) iniciou uma série de investigações sobre aplicações financeiras envolvendo recursos de Regimes Próprios de Previdência Social em produtos oferecidos pelo Banco Master.
Ao menos quatro operações foram deflagradas pela corporação para apurar suspeitas relacionadas a investimentos em letras financeiras e fundos administrados pela instituição. As investigações passaram a analisar a regularidade dessas aplicações e as circunstâncias em que os aportes foram realizados.
A maior das ações teve como foco investimentos de aproximadamente R$ 3,6 bilhões realizados pelo Rioprevidência. Durante a operação, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL.
Embora tenha concluído que o Banco Master poderia captar recursos dos RPPS, o parecer jurídico destacou a existência de riscos relacionados à corrupção e a possíveis conflitos de interesse nas operações envolvendo fundos previdenciários públicos.
A consulta ao escritório Barci de Moraes ocorreu enquanto a instituição financeira buscava respaldo jurídico para ampliar esse tipo de captação, em meio ao cenário de questionamentos sobre sua atuação no mercado.
O conteúdo do parecer veio a público após ser obtido pelo portal Metrópoles, enquanto as investigações da PF sobre investimentos de fundos de previdência em produtos do Banco Master seguem em andamento.