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Polícia

Violência silenciada pelo vínculo afetivo é preocupação no RN; veja números e o alerta da polícia

Crimes de violência patrimonial ou financeira são geralmente praticados dentro do ambiente doméstico por familiares próximos, como filhos e netos  |  Imagem criada pela Meta IA

Publicado em 21/03/2026, às 06h00   Imagem criada pela Meta IA   Anderson Barbosa

Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) apontam que a violência contra idosos no Brasil cresceu 5,6% apenas em 2025, evidenciando o agravamento de uma crise que atinge diretamente os direitos humanos da população com 60 anos ou mais.

A maioria das ocorrências envolve negligência, abandono, agressões físicas e violência patrimonial, que geralmente são praticadas dentro do ambiente doméstico por familiares próximos, como filhos e netos.

No Rio Grande do Norte, os casos mais graves registrados pela Polícia Civil nos últimos dois anos foram: "Apropriar-se de bens ou rendimentos de pessoas idosas" (com 352 ocorrências) e "Expor a perigo a integridade e a saúde física ou psíquica da pessoa idosa" (com 236 registros).

"Maus-tratos contra idosos" – que envolvem casos de violência física contra pessoas com 60 anos ou mais – (197 boletins de ocorrência) e "Discriminar, desdenhar, humilhar ou menosprezar pessoa idosa" (que somou 57 queixas) completam a lista dos crimes mais comuns contra os mais velhos.

Violência silenciada pelo vínculo afetivo

Titular da Delegacia Especializada de Proteção ao Idoso e à Pessoa com Deficiência de Natal (DEPID), a delegada Milena Oliveira alerta a população sobre o tema. Ao BNews Natal ela disse que é preciso romper o silêncio. 

A violência doméstica contra o idoso muitas vezes é silenciada pelo vínculo afetivo. É imperativo que vizinhos, profissionais de saúde e familiares extensos denunciem ao notar sinais de caquexia (desnutrição), isolamento repentino ou lesões físicas incompatíveis com quedas".

Coibir a infantilização do idoso é fundamental

Questionada sobre o que as pessoas podem fazer para ajudar a coibir a violência em ambiente doméstico, principalmente contra a pessoa idosa, a delegada foi enfática: 

A sociedade deve coibir a infantilização do idoso e qualquer forma de discriminação que impeça o exercício de sua cidadania. Sempre lembrar que a autonomia da pessoa idosa, quando plenamente lúcida, deve ser respeitada".

Ainda de acordo com a delegada, "é direito da pessoa idosa tomar decisões sobre sua própria vida, de acordo com seus valores, desejos e crenças, desde que esteja em pleno gozo de suas capacidades mentais". 

"Cabendo a ela, por exemplo, administrar seus bens, escolher onde e com quem morar, decidir sobre tratamentos médicos", acrescentou Milena.

Delegada Milena Oliveira

Uma das formas mais comuns de abuso no Brasil 

A violência patrimonial ou financeira contra idosos no Brasil é uma das formas mais comuns de abuso, representando cerca de 19,9% a quase 40% das denúncias recebidas pelo Disque 100, o principal canal de denúncias de abusos ou maus-tratos contra idosos no país. Os dados também são da SBGG. Estudos indicam que 1 em cada 10 idosos já sofreu algum tipo de abuso, com destaque para a apropriação de bens, pensões e cartões, geralmente cometida por familiares próximos.

"Atentar para a retenção indevida de cartões magnéticos e a outorga de procurações por idosos sem pleno discernimento. Apropriar-se de proventos ou dar-lhes aplicação diversa da finalidade constitui crime. A orientação é que a pessoa idosa mantenha a posse de seus cartões magnéticos e senhas ou somente a conceda a pessoas de sua confiança e que lhe preste contas. Familiares não devem utilizar o crédito do idoso para benefício próprio", alerta a titular da DEPID.

Entre as ocorrências mais registradas estão:

A violência patrimonial ou financeira contra idosos no Brasil é uma das formas mais comuns de abuso

Como denunciar crimes contra idosos no RN

Os números reforçam a necessidade de denunciar. Quem presenciar ou tiver conhecimento de qualquer forma de violência contra uma pessoa idosa pode acionar o Disque 100, que recebe denúncias de violações de direitos humanos; o Ligue 180, canal voltado principalmente à proteção de mulheres; ou as forças policiais pelo 190, em casos de urgência. A Polícia Civil também disponibiliza o número 191 para denúncias anônimas.

Especialistas alertam que romper o silêncio é fundamental para interromper o ciclo de violência e garantir proteção às vítimas, muitas vezes dependentes emocional ou financeiramente de seus agressores.

Por fim, a delegada Milena Oliveira faz mais um importante alerta à sociedade:

A privação de alimentos e cuidados indispensáveis, sujeita o infrator, quando este tem o dever legal de cuidado, a penas de reclusão, agravadas se resultar em lesão ou morte. A submissão da pessoa idosa a condições desumanas ou degradantes deve ser comunicada imediatamente à autoridade policial".

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