Polícia
Publicado em 03/12/2025, às 07h12 Com um aumento significativo nos casos de feminicídio, o RN enfrenta um cenário preocupante que exige atenção das autoridades e da sociedade. - Reprodução/Redes sociais Dani Oliveira
O Rio Grande do Norte chegou ao fim de novembro com um dado alarmante: os feminicídios já ultrapassaram todo o volume registrado no ano anterior. Foram 21 mulheres assassinadas por motivação de gênero entre janeiro e novembro de 2025 — número superior aos 19 casos confirmados ao longo de todo 2024.
A atualização, divulgada pela Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análises Criminais (Coine), reforça um cenário de preocupação crescente entre órgãos de segurança pública e entidades de proteção às mulheres.
A leitura dos últimos cinco anos mostra que, apesar das oscilações anuais, o estado segue em trajetória ascendente de violência letal contra mulheres.
Números expõem agravamento
O comportamento dos registros evidencia que a situação não é pontual. Nos últimos cinco anos, o estado acumulou:
• 2020 — 13 feminicídios
• 2021 — 20 casos
• 2022 — 18 vítimas
• 2023 — 24 ocorrências
• 2024 — 19 mortes
• 2025 (jan-nov) — 21 feminicídios
A comparação do mesmo período entre 2024 e 2025 também reforça o avanço: foram 17 feminicídios de janeiro a novembro de 2024, contra 21 no mesmo recorte deste ano.
Caso Zaira volta ao centro das atenções
O aumento da violência acontece justamente quando um dos casos mais emblemáticos do estado volta a julgamento.
O Tribunal do Júri retomou, nesta terça-feira (2), a análise do processo envolvendo a morte da universitária Zaira Dantas Silveira Cruz, encontrada morta dentro do carro do policial militar Pedro Inácio de Araújo durante o Carnaval de Caicó, em 2019.
O PM responde por estupro e homicídio, e o julgamento ocorre no Fórum Miguel Seabra Fagundes, sob responsabilidade do juiz Valter Flor, da 2ª Vara Criminal de Natal.
Andamento do julgamento
Nesta nova sessão:
• duas testemunhas de defesa foram ouvidas;
• cinco testemunhas de acusação já depuseram anteriormente;
• a primeira testemunha de defesa prestou depoimento na sessão passada;
• a expectativa é que peritos sejam ouvidos ainda nesta terça-feira.
O caso, que mobiliza a opinião pública desde 2019, permanece como símbolo da luta contra a violência de gênero no Rio Grande do Norte — agora em um contexto de registros que voltam a crescer.