Polícia
Publicado em 09/09/2026, às 10h42 Reprodução: Internet Redação
A investigação sobre a morte do engenheiro civil Carlos Eugênio Leopoldo Nunes Filho, de 27 anos, ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (8), quando o homem que pilotava o jet ski no momento do acidente compareceu à polícia para prestar esclarecimentos. O caso aconteceu na Lagoa do Bonfim, em Nísia Floresta, na Grande Natal, na noite do domingo (6).
O condutor esteve na Delegacia de Plantão, no bairro Cidade da Esperança, em Natal, e posteriormente recebeu uma intimação para prestar depoimento na Delegacia de Nísia Floresta, responsável pela apuração. Ele não foi preso, já que, segundo as informações divulgadas, não havia mandado de prisão contra ele.
O homem não havia sido localizado nos dois dias seguintes ao acidente. De acordo com o advogado Paulo Vasconcelos, a ausência ocorreu porque o cliente estaria com medo e teria passado a receber ameaças após a repercussão do caso nas redes sociais.
A defesa nega que ele tenha fugido depois da ocorrência. Para sustentar essa versão, o advogado entregou à polícia imagens que, segundo ele, mostram o condutor participando das buscas por Carlos Eugênio logo após a queda na lagoa.
O advogado também informou que o cliente possui carta náutica e habilitação para conduzir jet ski.
“O comparecimento dele hoje na delegacia aconteceu após diversas ameaças. Tido nas redes sociais como se ele foragido fosse e não é”, afirmou Paulo Vasconcelos.
Segundo o delegado de plantão Murilo Baesa, o condutor relatou que não havia se apresentado anteriormente justamente por estar com receio das ameaças.
“Ele disse que não se apresentou antes, estava com medo, disse que não foi encontrado no endereço dele também porque está sendo ameaçado. Veio aqui explicar a situação, por cima”, explicou.
Depoimento foi realizado em Nísia Floresta
Após o atendimento inicial na Delegacia de Plantão, a Polícia Civil determinou que o condutor compareça à unidade policial de Nísia Floresta nesta quarta-feira (9).
É nessa delegacia que o responsável pela investigação ouviu formalmente o piloto e confrontou a versão apresentada pela defesa com os depoimentos de testemunhas e outros elementos já reunidos.
De acordo com Murilo Baesa, testemunhas já foram ouvidas e a polícia trabalha para esclarecer a dinâmica do acidente e as circunstâncias que levaram à morte do engenheiro.
O piloto Eduardo Rithelly se manifestou sobre o acidente envolvendo o amigo Carlos e afirmou que não teve culpa ou intenção de provocar o ocorrido. Em um relato, ele também falou sobre a amizade entre os dois e disse estar abalado com a situação.Pedir Indemnização Acidentes
Eu tô aqui pra tentar mostrar isso, que eu não tenho culpa, eu não fiz nada”, afirmou Eduardo Rithelly.
Segundo o piloto, Carlos era uma pessoa que ele admirava. Além disso, os dois mantinham uma relação de amizade e costumavam realizar atividades juntos.
Eduardo contou que Carlos o chamava para malhar e afirmou que o amigo sempre lhe transmitia boas expectativas.
O piloto também descreveu o que aconteceu depois do acidente. Segundo Eduardo, entre 15 e 30 pessoas estavam em frente à marina e acompanhavam a movimentação.
Ele afirmou que tentou localizar Carlos após perceber que o amigo havia desaparecido.
“Eu gritava, eu gritava, Carlos, Carlos, eu procurava o cara”, relatou.
Eduardo ainda afirmou que Carlos sabia nadar e era uma pessoa fisicamente forte. Por isso, segundo ele, não esperava que o amigo desaparecesse daquela maneira.
Como aconteceu o acidente
Carlos Eugênio estava na garupa do jet ski quando ocorreu a queda na Lagoa do Bonfim. Segundo informações repassadas ao Corpo de Bombeiros, o acidente aconteceu por volta das 20h30 do domingo (6).
Os dois ocupantes teriam caído da embarcação durante uma manobra. O piloto conseguiu retornar ao jet ski, mas Carlos Eugênio não conseguiu voltar para a embarcação e desapareceu na água.
O tenente França, oficial de operações do Corpo de Bombeiros, relatou que testemunhas disseram que o condutor teria ingerido bebida alcoólica antes do acidente. A informação ainda será analisada no decorrer da investigação.
Durante o trajeto, de uma margem para a outra margem da lagoa, houve uma manobra mais brusca e os dois acabaram caindo do jet ski. Um conseguiu retornar ao jet ski e o outro, infelizmente, não”, disse o militar.
Outro ponto informado pelos bombeiros é que os dois ocupantes estavam sem colete salva-vidas.
Buscas começaram ainda no domingo
Assim que o desaparecimento foi comunicado, equipes do Corpo de Bombeiros iniciaram as buscas na lagoa. A operação, entretanto, precisou ser interrompida durante a noite devido às condições de baixa visibilidade.
Na manhã seguinte, os trabalhos foram retomados com a presença de dois mergulhadores. Outras equipes permaneceram posicionadas em uma embarcação e nas margens da lagoa para auxiliar na operação.
O corpo foi localizado por volta das 8h10 da segunda-feira (7) e encaminhado para os procedimentos necessários antes do reconhecimento pela família.
O tenente França explicou que o tempo é um fator determinante em ocorrências de afogamento e que a localização rápida da vítima pode aumentar as possibilidades de sobrevivência.
“Durante aquela primeira hora, se a gente conseguir resgatar ela, por mais que ela tenha se afogado, esteja inconsciente, ainda existe uma pequena chance, por mais remota que seja, de conseguir ressuscitar essa pessoa com as nossas técnicas”, afirmou.
Engenheiro era natural do Piauí
Carlos Eugênio Leopoldo Nunes Filho tinha 27 anos, era natural de Picos, no Piauí, e morava em Natal.
A morte ocorreu após o desaparecimento na Lagoa do Bonfim, um dos principais destinos de lazer da região metropolitana de Natal. A ocorrência mobilizou equipes de resgate durante a noite de domingo e a manhã de segunda-feira.
A Polícia Civil deverá analisar as circunstâncias da navegação, a dinâmica da queda, as condições de segurança e os demais fatores que possam ter contribuído para o acidente.
Marina diz que embarcação era particular
A Marina Proguard, apontada como o local de onde o jet ski partiu, divulgou uma nota lamentando o ocorrido. Segundo a empresa, Carlos Eugênio era passageiro de um jet ski particular e não utilizava colete salva-vidas.
A marina classificou o equipamento como item básico e fundamental para a segurança durante a navegação. A empresa também afirmou que a condução de jet ski durante a noite é proibida pelas normas vigentes estabelecidas pela Marinha do Brasil.
Em nota, a Proguard informou que encerra suas atividades náuticas aos domingos, impreterivelmente, às 18h, e que, por isso, não estava funcionando quando o acidente ocorreu.
A empresa ressaltou ainda que a responsabilidade pela segurança da embarcação e dos passageiros é do comandante ou piloto e afirmou que não possui poder de fiscalização sobre os condutores.
“A Marina Proguard não pode exercer poder de polícia nem de fiscalização, mas tão somente de orientação. E somente clientes devidamente habilitados são aceitos em nossa guarderia privada”, informou.
Estrutura foi disponibilizada para as buscas
Ainda segundo a Marina Proguard, todas as autoridades responsáveis foram acionadas após o acidente. A empresa afirmou ter disponibilizado equipamentos e estrutura para auxiliar as equipes de resgate.
Entre os recursos colocados à disposição estavam catamarã, lanchas e demais estruturas de apoio utilizadas durante as buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Capitania dos Portos.
A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil, que deverá reunir os depoimentos e demais elementos para esclarecer as circunstâncias da morte do engenheiro.