Polícia
Publicado em 05/03/2026, às 08h02 Reprodução internet Dani Oliveira
Um vídeo que se espalhou rapidamente pelas redes sociais mostra uma cena de confusão envolvendo um casal após uma suposta traição. Nas imagens, uma mulher confronta a amante do marido em plena via pública. A discussão se intensifica e as duas acabam entrando em luta corporal diante de pessoas que passavam pelo local.
A situação chama a atenção de curiosos que acompanham a briga enquanto o clima de tensão aumenta. Durante a confusão, o marido aparece na cena e, em vez de tentar separar as duas mulheres, acaba agredindo a própria esposa.
Na gravação feita por pedestres que assitiam a cena é possível ainda ouvir quando o marido grita para a esposa, entre um tapa e outro: "Vá para casa, vá".
A atitude do homem provoca ainda mais indignação entre as pessoas presentes e, posteriormente, entre os internautas que assistiram ao vídeo nas redes sociais.
A gravação viralizou rapidamente e gerou uma onda de comentários. Muitos usuários criticaram o comportamento do homem e apontaram o episódio como mais um exemplo de violência contra a mulher.
Caso teria ocorrido em Sergipe
De acordo com as informações que acompanham o vídeo compartilhado nas redes sociais, o episódio teria ocorrido na cidade de Estância, no estado de Sergipe.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre registro de ocorrência ou investigação do caso pelas autoridades locais. Também não foram divulgados detalhes sobre a identidade das pessoas envolvidas na confusão.
Apesar da ausência de informações oficiais, a repercussão do vídeo reacendeu discussões sobre relacionamentos abusivos, agressões físicas e a normalização da violência contra mulheres em conflitos pessoais.
Brasil registra aumento alarmante de feminicídios
A repercussão do caso ocorre em um momento em que os números da violência contra a mulher no país voltam a preocupar especialistas e pesquisadores.
De acordo com o Relatório Anual de Feminicídios no Brasil, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), o país registrou um crescimento significativo nos casos em 2025.
Dados sobre feminicídios no Brasil em 2025
• 6.904 vítimas de feminicídio entre casos consumados e tentados
• Crescimento de 34% em relação a 2024
• 2.149 assassinatos registrados
• 4.755 tentativas de feminicídio
• Média de 5,89 mulheres mortas por dia no país
Os números revelam a dimensão da violência de gênero no Brasil e reforçam o alerta sobre a necessidade de políticas públicas e ações de prevenção.
Divergência de dados indica possível subnotificação
O relatório da Universidade Estadual de Londrina também aponta uma diferença relevante em relação aos números divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
Segundo a pesquisadora Daiane Bertasso, integrante do Laboratório de Estudos de Feminicídios, o levantamento acadêmico identificou um número 38,8% maior de casos em comparação com os dados oficiais.
Ela explica que a divergência ocorre, principalmente, por subnotificação e pela falta de classificação correta do crime nos registros policiais.
“Mesmo os nossos dados sendo acima dos dados da segurança pública, a gente acredita que há ainda subnotificação. Porque nem todo o crime de feminicídio é noticiado, divulgado nas mídias. Pelas nossas experiências e pesquisas, a gente acredita que esse registro ainda é inferior à realidade, infelizmente”, explicou Bertasso.
A pesquisadora também destaca que a identificação de feminicídios exige um olhar técnico específico.
As pesquisadoras têm um olhar mais acurado para identificar quando é uma tentativa de feminicídio. Já em relação aos registros da segurança pública, nem todos os municípios e estados têm um investimento numa formação específica dos profissionais para identificar esse tipo de crime”.
Crimes acontecem majoritariamente dentro de casa
A análise do relatório também revela características comuns nos casos registrados no país.
Perfil dos feminicídios no Brasil
• 75% dos crimes acontecem no âmbito íntimo
• Os autores são, na maioria, companheiros ou ex-companheiros
• 38% das agressões ocorrem dentro da própria residência
Outro dado que chama atenção é o impacto social causado por esses crimes. Em 2025, 1.653 crianças ficaram órfãs em decorrência de feminicídios registrados no país.
Feminicídio costuma ser resultado de um ciclo de violência
Para a pesquisadora Daiane Bertasso, o feminicídio raramente acontece de forma repentina. Na maioria dos casos, ele representa o estágio final de um ciclo de violência que muitas vezes começa com agressões psicológicas, ameaças e controle dentro da relação.
“O feminicídio não é um crime inesperado. É um crime que resulta de relações familiares e íntimas. E ele se dá depois de um ciclo de violências de vários tipos”, afirmou.
Ela também destaca que fatores culturais e sociais contribuem para a manutenção desse cenário.
Segundo Bertasso, discursos ligados à chamada “masculinidade tóxica” podem fortalecer comportamentos misóginos que acabam influenciando jovens e perpetuando a violência de gênero.
Denúncia é fundamental para interromper ciclos de violência
Especialistas e autoridades reforçam que denunciar agressões é um passo essencial para interromper ciclos de violência e evitar que conflitos evoluam para crimes mais graves.
Canais de denúncia e apoio no Brasil
• Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher
• Ligue 190 – Polícia Militar em casos de emergência
• Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM)
• Aplicativos e canais digitais de denúncia
A repercussão do vídeo nas redes sociais mostra como episódios de agressão ainda geram forte reação da sociedade e reforça a importância de ampliar o debate público sobre a proteção às mulheres e o combate à violência de gênero.