☰
✕

Polícia

Traficante ensina como fazer contato com Fernandinho Beira-Mar, preso em penitenciária federal há quase 20 anos

Zeus, com apoio de Fernandinho Beira-Mar, se destacou na logística e distribuição de armas, ampliando o controle do Comando Vermelho  |  O Comando Vermelho, sob a liderança de Zeus, já possui bases em 25 estados, transformando o Rio em um centro estratégico. - Reprodução/Internet

Publicado em 20/10/2025, às 07h52   O Comando Vermelho, sob a liderança de Zeus, já possui bases em 25 estados, transformando o Rio em um centro estratégico. - Reprodução/Internet   Dani Oliveira

Ler resumo da notícia

O traficante Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, conhecido como Da Roça ou Zeus, oriundo de Rondônia, chegou ao Rio de Janeiro há pouco mais de dois anos amparado pelo aval de Fernandinho Beira-Mar, um dos principais nomes do Comando Vermelho (CV).

A parceria entre os dois criminosos vem de longa data — eles estiveram juntos na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS) entre 2019 e 2021, mas já mantinham contato antes disso.

De acordo com investigações da Polícia Civil de Rondônia, interceptações telefônicas de 2015 já revelavam que Zeus instruía aliados sobre como se comunicar com Beira-Mar dentro do presídio.

Num dos áudios apreendidos, ele detalha o esquema de troca de mensagens por meio de advogados e intermediários, driblando a vigilância penitenciária. Naquele período, Beira-Mar estava preso em Porto Velho, e Zeus cumpria pena no Centro de Ressocialização do Cone Sul, em Vilhena (RO).

De acordo com investigações da Polícia Civil de Rondônia, interceptações telefônicas de 2015 já revelavam que Zeus instruía aliados sobre como se comunicar com Beira-Mar dentro do presídio. Imagem: reprodução internet.

Da Amazônia ao Rio: a ascensão de Zeus
A chegada de Zeus à capital fluminense coincidiu com o início da ofensiva do Comando Vermelho na Zona Sudoeste do Rio, território historicamente dominado por milicianos.

Com habilidade tática e acesso a armamentos, o rondoniense foi determinante para a tomada da Muzema, em Rio das Pedras, consolidando-se como um dos principais articuladores da facção no estado.

Ele chegou com o selo de Beira-Mar, mas ganhou respeito definitivo ao ajudar o CV a conquistar a Muzema. A facção reconheceu sua capacidade de comando”, contou uma fonte policial sob anonimato.

Atualmente, segundo a Polícia Civil do Rio, Zeus estaria escondido no Complexo do Alemão, de onde comanda tanto as operações na Muzema quanto as ações em Rondônia.

O criminoso, que se tornou exceção por ocupar um posto de liderança fora de seu estado de origem, é apontado como especialista em logística bélica e distribuição de armas e munições.

Expansão nacional do Comando Vermelho
A atuação de Zeus é parte de um movimento mais amplo de expansão do Comando Vermelho, que, em apenas dois anos, assumiu o controle de pelo menos dez comunidades na Zona Sudoeste carioca.

Relatórios da Polícia Civil indicam ainda a presença de traficantes de 12 estados brasileiros em áreas sob domínio da facção no Rio.

O Pará lidera o ranking, com 78 criminosos identificados em grandes complexos, como o Alemão e a Maré. A estratégia faz parte da disputa territorial com o Primeiro Comando da Capital (PCC), originário de São Paulo, e já preocupa as autoridades de segurança.

O que está em jogo não é apenas o controle do tráfico no Rio, mas a disputa pelo Brasil. CV e PCC estão em guerra por influência nacional, e isso já ultrapassa o campo da segurança pública — trata-se de soberania”, alertou o delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira, subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da Polícia Civil fluminense.

Hoje, o Comando Vermelho possui bases em 25 estados e no Distrito Federal, transformando o Rio em um centro estratégico de comando.

De dentro dos complexos de favelas, líderes da facção operam “franquias” em outros estados, mantendo negócios e articulações à distância, com estrutura estável e fluxo constante de armas, drogas e dinheiro.

Sistema prisional reforça monitoramento
Em nota conjunta, a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e a Polícia Penal Federal (PPF) afirmaram que todas as comunicações ilícitas dentro das penitenciárias federais são monitoradas e interceptadas.

Os órgãos destacaram que o conteúdo apreendido em operações passadas foi encaminhado às autoridades competentes, subsidiando ações da Polícia Federal e de outros órgãos de segurança.

A Senappen reforçou ainda que as interações entre detentos são acompanhadas em tempo real, e que desde 2019 houve endurecimento nos protocolos de segurança e inteligência, após ameaças e ataques contra servidores penitenciários por organizações criminosas.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSegurança públicaRio de janeiroComando vermelhoCampo grandePccPrimeiro comando da capitalRondôniaComplexo do alemãoCvLuiz carlos bandeira rodriguesExpansão nacionalFernandinho beira-marRio das pedrasPorto velhoDistribuição de armasPenitenciária federalLogística bélicaDa roçaMuzemaZeus