Polícia
Publicado em 18/03/2026, às 11h51 Reprodução internet BNews Natal
Um caso inicialmente tratado como suicídio ganhou novos contornos e levou à prisão de um oficial da Polícia Militar.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi detido na manhã desta quarta-feira (18), em São José dos Campos (SP), suspeito de matar a própria esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos.
A prisão preventiva foi decretada pela Justiça Militar de São Paulo após avanço das investigações, que passaram a apontar inconsistências na versão inicial apresentada.
Vídeo mostra momento da prisão em condomínio
Imagens registraram o momento em que o oficial deixa um condomínio residencial acompanhado por agentes. Ele aparece sem algemas, vestindo roupa casual, e embarca em uma viatura policial.
A prisão ocorreu sem resistência e marca uma reviravolta no caso, que ganhou repercussão após a mudança de linha investigativa.
Investigação aponta feminicídio e fraude processual
O inquérito policial militar apura a possível prática de feminicídio e fraude processual. Segundo os investigadores, a dinâmica da morte não é compatível com a hipótese de suicídio inicialmente registrada.
A mudança de entendimento ocorreu após análise de:
– laudos periciais
– depoimentos de testemunhas
– reconstrução da cena do crime
– registros das primeiras horas após o disparo
As conclusões foram conduzidas pelo 8º Distrito Policial do Brás, que passou a tratar o caso como morte suspeita antes de apontar o oficial como principal suspeito.
Vítima chegou a ser socorrida, mas não resistiu
Gisele Alves Santana foi encontrada gravemente ferida no apartamento onde morava com o marido, na região do Brás, em São Paulo, no dia 18 de fevereiro.
Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada pelo helicóptero Águia da PM ao Hospital das Clínicas, mas morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico causado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.
Versão inicial foi contestada por perícia
O caso chegou a ser tratado como suicídio consumado, mas passou por reclassificação após surgirem dúvidas técnicas sobre a dinâmica do disparo.
Com base em perícias e na reconstituição dos fatos, a Polícia Civil concluiu que a versão apresentada pelo tenente-coronel não se sustentava.
A partir dessas evidências, foi solicitado à Justiça o pedido de prisão preventiva, autorizado nesta quarta-feira.
Defesa questiona competência da justiça militar
A defesa do oficial, representada pelo advogado Eugênio Malavasi, contesta a legalidade da decisão, especialmente quanto à competência da Justiça Militar para decretar a prisão.
“Entendo que a Justiça Militar não é competente para o decreto preventivo”, argumentou o advogado, ao afirmar que os fatos investigados ocorreram no âmbito privado.
Caso segue sob investigação
O tenente-coronel agora responde formalmente pelas acusações enquanto o inquérito segue em andamento. Novos desdobramentos devem surgir à medida que as investigações avancem.
O caso chama atenção pela gravidade das suspeitas e pela mudança significativa na linha investigativa, que transformou um registro inicial de suicídio em uma investigação por feminicídio.