Polícia
Publicado em 13/05/2026, às 12h17 Reprodução/Redes Sociais Malu Machado
Um episódio de desrespeito e agressividade contra uma criança de apenas 12 anos gerou uma onda de indignação em Mossoró nesta terça-feira (12).
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o garoto, que trabalha vendendo paçocas em um semáforo no bairro Nova Betânia, é alvo de humilhações por parte de jovens que estavam em um veículo.
O caso ocorreu em frente a uma unidade da rede de fast foods McDonald's. Nas imagens, um jovem que ocupa um carro tenta puxar a vasilha de mercadorias da criança.
Durante a ação, parte das paçocas cai na pista, causando prejuízo ao pequeno vendedor. Enquanto o menino tentava recolher os produtos do chão para continuar o trabalho, os ocupantes do veículo faziam zombarias e risadas, registrando a cena em vídeo.
Veja registro que repercutiu na internet:
A repercussão foi imediata e chegou ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), que instaurou uma Notícia de Fato para apurar as denúncias. O foco da investigação inicial é um possível crime de racismo supostamente cometido pelos adolescentes que estavam no carro.
A 10ª Promotoria de Justiça de Mossoró solicitou à Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente Infrator (DEA) a abertura de uma investigação oficial para identificar todos os envolvidos na ação.
A indignação com o caso do menino vendedor de paçocas saiu das redes sociais e ganhou as ruas de Mossoró na tarde desta terça-feira (12). Um grupo de motoboys realizou um forte protesto motorizado em solidariedade ao garoto vítima de injúria racial e humilhação.
A mobilização teve início no bairro Nova Betânia, justamente no cruzamento onde o episódio ocorreu, e seguiu por pontos estratégicos da cidade como forma de pressionar pela identificação dos agressores.
Durante o trajeto, o comboio de motociclistas passou em frente a um condomínio de alto padrão e fez uma parada em um restaurante da região, locais frequentados pelo público de maior poder aquisitivo, reforçando o simbolismo do protesto contra o preconceito social.
De acordo com os manifestantes, o objetivo foi demonstrar que a categoria e a população não aceitarão passivamente ataques contra trabalhadores e crianças em situação de vulnerabilidade.
Veja vídeo:
Equipes da Polícia Militar acompanharam todo o percurso da manifestação para garantir a ordem, e o ato seguiu sem registros de confrontos, mas marcado pelo barulho das buzinas e pedidos de "justiça".
Além da esfera criminal/infracional, o caso acendeu um alerta sobre a situação social da vítima. A 12ª Promotoria de Justiça de Mossoró foi acionada para garantir que a rede de proteção à criança atue no caso.
Por envolver menores de idade (tanto a vítima quanto os supostos agressores), o processo corre sob segredo de Justiça.