Polícia
Publicado em 06/08/2026, às 07h02 PCRN Lavínia Manso
O Rio Grande do Norte possui apenas 34,7% do efetivo previsto em lei para a Polícia Civil, segundo o estudo "Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil 2026", divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O estado conta com 1.788 policiais civis em atividade para um quadro de 5.150 cargos, acumulando déficit de 3.362 servidores e ocupando a quarta pior posição do país nesse indicador.
O percentual fica abaixo da média nacional, que é de 55,2%. Apenas Rondônia, Rio de Janeiro e Paraíba apresentam índices inferiores ao do estado.
O relatório alerta que a falta de profissionais provoca sobrecarga das equipes, acúmulo de inquéritos e dificuldades para o andamento das investigações e dos serviços de polícia judiciária.
O efetivo da Polícia Civil é formado por 1.292 investigadores e agentes, 271 escrivães e 225 delegados. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a defasagem evidencia a distância entre o planejamento das secretarias de segurança e a disponibilidade real de servidores.
Na Polícia Militar, a situação também preocupa. A corporação possui 9.068 policiais na ativa, mas o efetivo previsto em lei é de 14.085 militares, o que representa déficit de 5.017 profissionais, equivalente a 35,6% das vagas.
O estudo também aponta um envelhecimento da tropa. Atualmente, 5.607 policiais militares são sargentos, número superior ao total de soldados e cabos somados, cenário atribuído ao baixo número de concursos e às promoções por antiguidade.
O levantamento mostra ainda que o Rio Grande do Norte figura entre os estados com as menores remunerações na segurança pública. Os escrivães da Polícia Civil recebem, em média, R$ 9.985,66, enquanto investigadores têm salário médio de R$ 11.488,78. Entre os delegados, a remuneração média é de R$ 28.740,23, todas abaixo da média nacional.
Na Polícia Militar, o salário bruto médio dos soldados é de R$ 4.276,43, o menor do Brasil. Já o Corpo de Bombeiros Militar registra a menor remuneração média do país, com R$ 7.825,98, apesar de apresentar cobertura territorial acima da média nacional.
A Perícia Oficial também aparece com a menor remuneração média para peritos técnicos do Brasil, enquanto a Polícia Penal possui salário médio superior ao nacional. O estudo ainda contabiliza 14.886 profissionais ativos na segurança pública potiguar e 5.196 servidores inativos, a maior parte formada por policiais militares.