Polícia
Publicado em 18/02/2026, às 14h17 reprodução internet Elí Bernardo
O paraibano José Wellington Alves de Lima, viveu dias de angústias após ser preso injustamente no município de Itabaiana, no Agreste da Paraíba, onde ficou três dias na prisão depois de ser confundido com um homem de mesmo nome, condenado por roubo qualificado pela Justiça do Rio Grande do Norte a 3 anos, 3 meses e 10 dias em regime aberto.
A reportagem do Jornal da Paraíba teve acesso a documentos que apontam que um mandado de prisão contra um homem identificado pelo mesmo nome, mas com o CPF de José Wellignton, foi expedido pela 14ª Vara Criminal da Comarca de Natal e inserido no sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 20 de janeiro.
Com os dados do CPF, foi possível as autoridades policiais chegarem no endereço para prender José Wellington.
O homem foi preso enquanto estava de plantão no trabalho no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e não tinha passagens pela polícia.
Ele foi preso em 7 de fevereiro. Ao Jornal da Paraíba, José Wellington relatou foi abordado pela Polícia Militar e que os policiais militares o prenderam e depois o transferiram para a custódia da Polícia Civil.
Na noite do sábado para o domingo eu estava trabalhando quando uma viatura da Polícia Militar chegou no meu trabalho entre 23h e 00h. O policial desceu da viatura e perguntou 'como estava o plantão', eu falei que 'estava bem', que 'as viaturas estavam em evento na cidade', e perguntaram meu nome em seguida. Aí eu falei, e ele disse que estava com mandado de prisão pra mim", relatou.
"Foram os piores dias da minha vida, onde a pessoa dorme e acorda e o tempo não passa. Olha para o lado, olha para o outro e não tem o que fazer, é três passos para frente e três passos para trás. Só isso", lamentou o trabalhador.
Posteriormente, ele foi levado para a Central de Polícia Civil, em João Pessoa, onde passou pela audiência de custódia e ficou os três dias presos.
A audiência de custódia sobre o caso, realizada pela Justiça da Paraíba, manteve a prisão preventiva dele mesmo após informe dos advogados sobre a troca de identidade com o condenado.
O juiz Salvador de Oliveira Vasconcelos justificou "ausência de elementos mínimos comprobatórios para fundamentar a alegação" de que o preso não seria a pessoa que foi condenada.
Após a audiência de custódia, os advogados de José Wellington, Caius Barros, Yuri Rodrigues e Lucas Paulo, realizaram uma petição junto à Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) para tentar reverter a prisão, na segunda-feira (9).
Na pedido, entre os documentos inseridos pelos advogados estiveram a certidão de nascimento, fotos dos dois homônimos, de diversos ângulos, CPF, RG e o nome da mãe.
Os advogados apresentaram, no escritório do juiz da 14ª Vara Criminal de Natal, a petição para soltura. Ainda na segunda-feira um alvará de soltura de José Wellington foi expedido e ele saiu da cadeia.
"Foi um erro muito grave, que eu ia pagar por uma coisa que eu nunca cometi na vida", contou José.