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Polícia

PF prende mãe e irmão de Oruam em operação contra o monopólio de internet do Comando Vermelho

A Operação Backbone visa desmantelar o controle do Comando Vermelho sobre serviços de internet e suas fontes de financiamento  |  Reprodução: Internet

Publicado em 19/10/2026, às 10h48   Reprodução: Internet   Redação

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta segunda-feira (19), Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam, durante uma operação que investiga a exploração ilegal de serviços de internet em comunidades do Rio de Janeiro.

Segundo as investigações, o esquema seria controlado pelo Comando Vermelho (CV), que utilizaria a imposição de provedores, a destruição de equipamentos de concorrentes e a cobrança de taxas para ampliar suas fontes de financiamento.

A ação, denominada Operação Backbone, também tem como alvo o traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, pai do artista e apontado como uma das lideranças da facção criminosa.

A ofensiva foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e busca atingir tanto os responsáveis pela operação do esquema quanto a estrutura financeira utilizada para movimentar os recursos.

Até a última atualização divulgada, 19 pessoas haviam sido presas. A Justiça expediu 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de até R$ 558 milhões em bens e valores. As medidas atingem pessoas físicas e empresas suspeitas de participar da estrutura investigada.

Como funcionava o esquema de internet atribuído ao tráfico

De acordo com a Polícia Federal, moradores dos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão eram submetidos a um sistema de controle territorial que afetava diretamente o acesso à internet. A investigação aponta que integrantes do Comando Vermelho obrigavam moradores a contratar serviços de provedores controlados pelo grupo criminoso.

Para impedir a concorrência, criminosos armados destruíam cabos e equipamentos de outras operadoras, além de dificultar a realização de reparos nas redes instaladas nas comunidades. Dessa forma, empresas autorizadas a prestar o serviço encontravam obstáculos para manter suas operações, enquanto os provedores ligados ao esquema ampliavam sua presença.

Outro mecanismo investigado era a cobrança de tarifas de empresas de telecomunicações que pretendiam atuar nas regiões dominadas pela facção. Segundo a PF, a combinação entre coerção, restrição da concorrência e cobrança de valores transformava a prestação de serviços de internet em uma fonte de arrecadação para o grupo criminoso.

A prática também afetava os consumidores, que poderiam perder a liberdade de escolher a operadora ou o provedor de preferência. Em áreas submetidas ao controle territorial de organizações criminosas, a imposição de fornecedores pode comprometer a concorrência e dificultar o acesso regular a serviços essenciais de comunicação.

Internet do tráfico teria financiado parte das receitas da facção

As apurações indicam que a exploração ilegal dos serviços de internet não era uma atividade isolada, mas parte de uma estrutura econômica utilizada pelo Comando Vermelho para obter recursos nos territórios sob sua influência.

Segundo os investigadores, em um único mês, o esquema teria representado mais de 40% das receitas atribuídas à facção no Complexo da Penha. O percentual reforça a relevância econômica que a atividade teria adquirido dentro da estrutura investigada.

A atuação de grupos criminosos no mercado de telecomunicações também pode envolver o controle de infraestrutura, a cobrança de taxas ilegais e a intimidação de trabalhadores e empresas. No caso investigado, a PF procura identificar como os valores eram arrecadados, quem se beneficiava do dinheiro e de que maneira os recursos eram distribuídos.

O objetivo da operação é interromper o funcionamento desse sistema e alcançar os responsáveis pelo financiamento e pela manutenção das atividades ilícitas.

Marcinho VP é investigado por manter influência mesmo preso

Marcinho VP está preso desde 1996 e atualmente se encontra custodiado em uma penitenciária federal de segurança máxima em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.

Apesar do encarceramento, a Polícia Federal investiga a suspeita de que ele continuava exercendo influência sobre atividades econômicas em territórios dominados pelo Comando Vermelho. Conforme a apuração, essa atuação ocorreria por meio de familiares e de outras lideranças da organização criminosa.

A investigação busca esclarecer como as decisões relacionadas ao esquema de internet eram tomadas, quais pessoas participavam da administração das atividades e de que forma os recursos obtidos chegavam aos integrantes da estrutura criminosa.

A participação de familiares e de empresas sob investigação também é analisada para identificar possíveis mecanismos de intermediação financeira. A existência de vínculos familiares, por si só, não comprova envolvimento em crimes, e a responsabilidade de cada investigado deverá ser apurada individualmente.

PF investiga lavagem de dinheiro por empresas e imóveis

Além da exploração ilegal dos serviços de telecomunicações, a operação apura suspeitas de lavagem de dinheiro. Segundo a Polícia Federal, os recursos obtidos com as atividades criminosas poderiam ter sido movimentados ou ocultados por meio de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão e operações com criptomoedas.

Esses setores estão entre os mecanismos que os investigadores procuram examinar para rastrear a origem e o destino dos valores. A apuração busca verificar se empresas e bens foram utilizados para dissimular recursos provenientes das atividades atribuídas à facção.

O bloqueio judicial alcança 40 pessoas físicas e 42 empresas. A medida tem como objetivo impedir a movimentação de patrimônio que possa estar relacionado ao esquema enquanto as investigações avançam.

O valor de até R$ 558 milhões representa o limite do bloqueio determinado judicialmente, e não necessariamente a quantia já recuperada ou comprovadamente proveniente de atividades ilegais. A identificação da origem dos bens e dos valores depende da análise dos documentos financeiros e das demais provas reunidas durante a investigação.

Quais crimes são investigados na Operação Backbone

Os investigados poderão responder por diferentes crimes relacionados à estrutura econômica e operacional atribuída ao Comando Vermelho. Entre as condutas apontadas estão domínio social estruturado, extorsão, interrupção de serviços de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

O enquadramento definitivo dependerá das provas produzidas e da análise das autoridades responsáveis pelo caso. A investigação também deverá esclarecer o papel atribuído a cada suspeito, a participação de empresas e a possível conexão entre a exploração dos serviços de internet e outras atividades da organização criminosa.

A Operação Backbone busca atingir uma fonte de financiamento que, segundo a PF, permitia à facção exercer controle econômico sobre comunidades e dificultar a atuação de empresas concorrentes.

Até a última atualização, 19 pessoas haviam sido presas. As diligências seguem voltadas à identificação dos envolvidos, ao rastreamento dos recursos e à coleta de elementos que possam esclarecer a dimensão do esquema.

Classificação Indicativa: Livre


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