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Polícia

Comando Vermelho amplia força e cresce na América do Sul; PF mapeia principais países de atuação da facção e situação do RN na rota do crime

Facção Comando Vermelho se expande para 8 países da América do Sul, controlando rotas de tráfico de drogas e armas, impondo o terror por onde atua  |  Facção Comando Vermelho se expande para 8 países da América do Sul, controlando rotas de tráfico de drogas e armas. - Divulgação/SESED

Publicado em 02/12/2025, às 07h41   Facção Comando Vermelho se expande para 8 países da América do Sul, controlando rotas de tráfico de drogas e armas. - Divulgação/SESED   Dani Oliveira

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Nos últimos anos, a facção Comando Vermelho expandiu fronteiras e hoje seus negócios alcançam ao menos 8 dos 12 países da América do Sul, segundo dados da Polícia Federal. Além da presença no Brasil, o CV tem negócios na Venezuela, Colômbia, Peru, Argentina, Suriname, Paraguai e Bolívia.

A facção atua principalmente com serviços de logística para grupos internacionais, com o objetivo de facilitar o escoamento de drogas para Europa e África.
Dados da Polícia Federal mostram que a projeção internacional do Comando Vermelho ocorre por meio de negócios e parcerias com grupos criminosos locais.

Esses acordos servem para viabilizar o envio de drogas e armas destinadas tanto ao mercado brasileiro como ao exterior.

De acordo com PF, a rede de cooperação com grupos de outros países está diretamente relacionada ao fato de que o Comando Vermelho controla rotas estratégicas dentro do território brasileiro.

No Rio Grande do Norte, pode-se ver em bairros como Mãe Luiza comunicados do Comando Vermelho prometendo acabar com a opressão do Sindicato do Crime - Divulgação Reprodução/Sem Mordaça RN

Como são utilizados os caminhos do tráfico

Esses caminhos do tráfico são usados para transportar entorpecentes de nações que são grandes produtores, como Bolívia, Peru e Colômbia. O destino final da droga, após atravessar o Brasil, são principalmente países europeus e africanos.

Nesse circuito, o CV exerce papel decisivo ao dominar o escoamento pelo Rio de Janeiro. No Pará, a facção também explora uma das principais rotas de saída da região Norte, tanto por portos formais como por clandestinos.

A droga colombiana entra no Brasil por rios e é escoada pelo rio Solimões. Já parte significativa da cocaína do Peru entra no país por Bolívia e Paraguai, com o uso de aeronaves.

A Polícia Federal aponta ainda que o Comando Vermelho e outras facções são grandes prestadores de serviços de logística para grupos internacionais, entre os quais a máfia italiana 'Ndrangheta.

Ação da polícia no combate ao Comando Vermelho em Natal, Rio Grande do Norte. Imagem Divulgação SESED.

Com relação ao escoamento da droga no Rio de Janeiro, lá o CV é contratado para garantir a logística local, desde a segurança do carregamento até o acesso a corredores portuários.

Em depoimento a reportagem da Folha de São Paulo, com a apuração da jornalista Raquel Lopes, coordenador-geral de Repressão a Drogas, Armas, Crimes contra o Patrimônio e Facções Criminosas da PF, Alexandre Custódio Neto, disse que:

"Em que pese também negociem drogas e armas no exterior, as facções brasileiras, incluindo o CV, atuam principalmente como grandes prestadoras de serviço".

Grandes brokers [agentes] do narcotráfico, que possuem o capital e compram a droga e negociam a venda no exterior, buscam as facções para realizar serviços. Um broker pode ser associado ao CV, ao PCC [Primeiro Comando da Capital] ou a outras facções menores, dependendo de onde precisam de logística", acrescentou.


Paralelo ao escoamento de drogas e logística para o exterior, a conexão do Comando Vermelho com países vizinhos também aparece no abastecimento do mercado brasileiro com armas e drogas.

Investigações recentes da Polícia Federal já tinham apontado conexões do Comando Vermelho para o abastecimento ilícito de armas e drogas do mercado brasileiro. A Operação Dakovo, deflagrada pela PF em 2023, identificou um empresário paraguaio responsável por importar armas croatas para o Brasil, abastecendo o CV e o PCC.

Na época, policiais tiveram acesso a conversas de Fhillip da Silva Gregório, conhecido como Professor e apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho, com integrantes do grupo de Diego Hernan Dírisio, considerado um dos maiores traficantes de armas da América do Sul.

Ambos foram alvo de mandados de prisão na investigação que desarticulou um esquema responsável por trazer para o Brasil cerca de 43 mil armas do Paraguai e movimentar R$ 1,2 bilhão em três anos.

Expansão territorial no Paraguai

Apurações apontam ainda que, embora o Comando Vermelho tenha conexões criminosas em diversos países, o Paraguai é o único em que a facção tem algum domínio territorial.

A expansão do CV no Paraguai é anterior à entrada do PCC no país e tem como personagem central Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. Seu objetivo era abrir corredores diretos entre a produção de cocaína em nações vizinhas e o varejo das favelas do Rio de Janeiro. Atualmente, tanto o Comando Vermelho como o PCC estão presentes em território paraguaio.

A presença dessas facções no Paraguai é forte a ponto de prevalecerem no negócio ilícito em determinadas rotas e territórios, inclusive de produção de maconha. Integrantes do CV e do PCC confrontaram outros grupos criminosos no Paraguai e já estiveram envolvidos em motins prisionais naquele país", afirma Custódio.

No último mês, o CV esteve no centro do noticiário por causa da megaoperação realizada pelo governo fluminense contra membros da facção, que deixou 122 mortos, entre os quais cinco policiais.

Nos últimos anos, a facção ampliou suas atividades e consolidou o domínio territorial em diferentes regiões do país, onde moradores são obrigados a pagar taxas por serviços, segurança e até "imposto" sobre venda de imóvel. (FOLHAPRESS/RAQUEL LOPES)


Expansão do Comando Vermelho no sistema carcerário do RN

No Rio Grande do Norte, dados da Secretaria de Administração Penitenciária apontam que o número de integrantes da facção criminosa Comando Vermelho nos presídios potiguares cresceu mais de 200% somente neste ano.

Líderes do Comando Vermelho são transferidos em operação secreta para o Presídio Federal de Mossoró, no RN, visando segurança | Divulgação Reprodução/Assessoria

Até este mês de mês de novembro, pelo menos 250 presos se declaram membros do CV nas cadeias do RN. Do ano passado até janeiro deste ano, eram 78 faccionados.

O mapeamento é feito por uma comissão técnica da Seap, formada por psicólogos, assistentes sociais e policiais penais, que realizam entrevistas para mapear as condições dos detentos.

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