Polícia
Publicado em 12/04/2026, às 09h24 Foto: Divulgação Mayane Lins
Uma operação da Polícia Federal e da Receita Federal desarticulou um esquema de venda irregular de eletrônicos e outros produtos em plataformas como Mercado Livre, Shopee e Magazine Luiza. A ação ocorreu na última quarta-feira (8) e teve como alvo um grupo que atuava em seis estados, com base no Paraná.
De acordo com as investigações, a organização funcionava de forma estruturada, com divisão de tarefas e uso de empresas de fachada. Os produtos como celulares, discos rígidos, robôs aspiradores, equipamentos de internet, ar-condicionado portátil, perfumes e insumos para impressoras, eram comprados no Paraguai, entravam no Brasil sem o devido recolhimento de impostos e eram vendidos como se tivessem origem regular.
As autoridades identificaram a existência de mais de 300 empresas fictícias e cerca de 40 pessoas físicas ligadas ao esquema. A movimentação financeira envolveu milhões de reais entre 2020 e 2024, apenas em uma das plataformas investigadas.
Segundo a Polícia Federal, o grupo atuava em diferentes etapas. Um núcleo era responsável pela compra dos produtos no Paraguai, aproveitando os preços mais baixos. Em seguida, outro grupo fazia o transporte irregular até o Brasil, muitas vezes em comboio, com apoio de batedores para tentar escapar da fiscalização.
Após a entrada no país, os itens passavam por uma “regularização” fraudulenta. Empresas de fachada eram usadas para emitir notas fiscais falsas, dando aparência de legalidade às mercadorias.
Na etapa final, os produtos eram anunciados nas plataformas digitais por integrantes da própria organização, alcançando consumidores como vendedores comuns. O dinheiro das vendas era distribuído entre contas e empresas para dificultar o rastreamento, caracterizando lavagem de dinheiro.
A investigação também apontou o uso de “laranjas”, que cediam dados para abertura de empresas e contas bancárias, além da venda de cursos nas redes sociais como forma de dar credibilidade ao esquema.
A Operação Platinum resultou no cumprimento de 20 mandados de prisão com um suspeito ainda foragido e 32 mandados de busca e apreensão em seis estados. As ações ocorreram no Paraná, além de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Pernambuco.
A investigação começou em agosto de 2022, após a apreensão de mercadorias transportadas de forma irregular em veículos que circulavam em grupo. Ao todo, participaram da operação mais de 100 policiais federais e cerca de 50 servidores da Receita Federal.
As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal de Guaíra.
As plataformas citadas informaram que colaboram com as autoridades. O Mercado Livre afirmou que mantém cooperação ativa em investigações e investe em tecnologia para identificar irregularidades. A Shopee destacou que cumpre a legislação e adota mecanismos de controle para coibir práticas ilícitas. Já a Magazine Luiza informou que não foi oficialmente notificada, mas reforçou que exige a emissão de nota fiscal e possui ferramentas de monitoramento para garantir a regularidade das vendas em sua plataforma.
Mercado Livre:
O Mercado Livre informa que está em contato com a Polícia Federal para a apuração e apoio da operação realizada hoje (08/04). A empresa mantém colaboração ativa com os órgãos competentes, auxiliando investigações e contribuindo para a identificação de práticas irregulares e o reforço da segurança no ambiente digital. O Mercado Livre investe continuamente em tecnologia avançada, monitoramento proativo e equipes especializadas para a prevenção e remoção de conteúdos que violem suas políticas. A empresa mantém critérios claros para a comercialização de produtos e reafirma que todos os anúncios devem cumprir seus Termos e Condições de Uso. A maior parte das infrações é identificada de forma proativa pelos próprios sistemas de segurança e tecnologia da companhia e casos pontuais são tratados com agilidade, com a remoção dos anúncios e a aplicação de medidas aos responsáveis, que podem incluir suspensão ou banimento. Nesse contexto, a empresa atua em conjunto com autoridades, incluindo a remoção imediata de anúncios irregulares por elas reportados.
Shopee:
A Shopee cumpre com todas as leis e colabora de forma contínua com a Receita Federal e demais autoridades para prevenir e combater práticas ilícitas. Exigimos que todos os vendedores da plataforma cumpram com a nossa política de produtos proibidos, que expressa claramente a proibição da venda de itens falsificados. Para assegurar o cumprimento dessas regras, contamos com mecanismos de monitoramento, controles rígidos e canais de denúncias na plataforma. Quando há indícios ou confirmação de infrações, a empresa atua prontamente com investigação, remoção de conteúdo e aplicação de medidas como o banimento da loja em questão.
Magazine Luiza:
O Magalu informa que não foi oficialmente notificado. A companhia exige que seus sellers emitam nota fiscal em todas as transações realizadas em sua plataforma e possui instrumentos de controle e revisão que garantem a conformidade de suas operações: uma política rígida de seleção de parceiros, listas restritivas de produtos, ferramentas de monitoramento contínuo e mecanismos com os quais fornecedores e marcas podem retirar um anúncio do ar quando identificarem produtos ilegais ou similares aos seus. O Magalu reforça ainda que retira do ar os anúncios denunciados por inconformidade, após checagem e comprovação, e que atua fortemente junto ao movimento de combate à venda de produtos de origem irregular e/ou ilegal e foi uma das primeiras plataformas a adotar o Guia de Boas Práticas de Combate à Pirataria, criado em parceria com o CNCP/Senacon. A empresa permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e reforça seu compromisso com a legalidade e a segurança em sua plataforma.