Polícia
Publicado em 02/06/2026, às 11h20 - Atualizado às 12h22 Reprodução internet Redação
Uma organização criminosa suspeita de utilizar a estrutura portuária do Rio Grande do Norte para enviar drogas à Europa tornou-se alvo de uma grande operação deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (2).
A ação mobilizou agentes em cinco estados e atingiu diretamente o patrimônio dos investigados, com bloqueios e sequestros que somam cerca de R$ 65 milhões.
Batizada de Operação Pele de Sapo, a ofensiva conta com o apoio da Receita Federal e tem como objetivo desarticular uma rede criminosa com atuação internacional, investigada por envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Grupo utilizava portos potiguares para exportar entorpecentes
De acordo com as investigações, a organização aproveitava operações ligadas ao comércio exterior para esconder carregamentos de drogas destinados ao mercado europeu.
Além do envio dos entorpecentes por via marítima, o grupo também é suspeito de manter um sofisticado esquema financeiro voltado à ocultação dos lucros obtidos com as atividades criminosas.
Os investigadores identificaram indícios de utilização de documentos fraudulentos, empresas de fachada e terceiros interpostos para dificultar o rastreamento da origem dos recursos movimentados pela organização.
Mandados foram cumpridos em cinco estados
A operação foi realizada simultaneamente nos estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Pará, São Paulo e Rio de Janeiro.
Ao todo, a Justiça autorizou:
• 28 mandados de busca e apreensão
• 14 mandados de prisão preventiva
As medidas têm como objetivo reunir novas provas, prender integrantes da organização e aprofundar as investigações sobre a atuação da rede criminosa.
Justiça bloqueia contas e determina sequestro de bens
Além das prisões e buscas, a operação também mira a estrutura financeira do grupo.
Por determinação judicial, foram bloqueados aproximadamente R$ 30 milhões mantidos em contas bancárias ligadas aos investigados.
A decisão inclui ainda o sequestro de cerca de R$ 35 milhões em bens que estariam vinculados ao esquema criminoso.
Segundo a Polícia Federal, a descapitalização da organização é uma das principais estratégias da operação, buscando enfraquecer a capacidade financeira utilizada para sustentar o tráfico internacional e outras atividades ilícitas.
Investigação segue em andamento
A Operação Pele de Sapo é resultado de um trabalho de investigação que apura a atuação de uma organização com ramificações em diferentes estados e conexões internacionais.
A expectativa das autoridades é que a análise do material apreendido durante o cumprimento dos mandados permita identificar novos integrantes do esquema e ampliar o rastreamento dos recursos movimentados pelo grupo.
Ação no Rio Grande do Norte
A operação também resultou na prisão de sete pessoas investigadas por participação no esquema criminoso, sendo quatro no Rio Grande do Norte, uma no Rio de Janeiro e duas em São Paulo.
No RN, logo nas primeiras horas do dia, houve uma intensa movimentação policial em uma das regiões mais valorizadas da Grande Natal. Agentes da Polícia Federal (PF) realizaram a ação em uma residência localizada dentro do condomínio de luxo Alphaville, situado às margens da Rota do Sol.
Bastidores apontam que a residência "visitada" pelos agentes federais pertence a um morador bastante conhecido na região devido à realização de festas e farras de grande repercussão no imóvel.
Além das prisões, foram apreendidos veículos, joias, dinheiro em espécie, imóveis e outros bens de alto padrão, apontados como possíveis produtos do enriquecimento ilícito obtido com a atividade criminosa.