Polícia
Publicado em 07/05/2026, às 09h02 Reprodução internet Redação
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), uma nova fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes financeiras e possíveis vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master. Entre os principais alvos da ofensiva está o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas (PP).
Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar em Brasília e no Piauí. O irmão do senador, Raimundo Nogueira, também foi alvo das medidas autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação desta quinta-feira foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso na Corte. Além das buscas, a decisão judicial determinou o bloqueio de bens, direitos e valores que podem chegar a R$ 18,85 milhões.
Segundo a Polícia Federal, a nova etapa da investigação reúne elementos considerados relevantes sobre uma possível atuação do senador em benefício do banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com trecho da decisão obtida pela jornalista Ana Flor, os investigadores apontam “a identificação da suposta conduta do senador em favor do banqueiro, em troca do recebimento de vantagens econômicas indevidas”.
Operação cumpre mandados em quatro estados
Ao todo, a PF executa 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.
O alvo da prisão é Felipe Cançado Vorcaro, preso em Minas Gerais durante a operação. Ele é primo de Daniel Vorcaro, nome que aparece no centro das investigações relacionadas ao Banco Master.
A investigação conduzida pela Polícia Federal sustenta que havia um esquema de favorecimento envolvendo interesses privados e atuação política.
O relatório encaminhado ao STF aponta que Ciro Nogueira teria utilizado a estrutura do mandato parlamentar em benefício dos interesses do banqueiro.
PF diz que senador era “destinatário central” de vantagens
De acordo com os investigadores, o senador aparecia como o “destinatário central” das supostas vantagens indevidas vinculadas ao esquema investigado.
O documento da PF afirma que Ciro Nogueira teria “instrumentalizado o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados” de Daniel Vorcaro. A avaliação consta no relatório utilizado para fundamentar as medidas judiciais autorizadas pelo STF.
Na frente financeira, os investigadores citam uma série de supostos benefícios recebidos de maneira recorrente:
- Pagamentos mensais;
- Compra de participação em empresa com desconto considerado elevado;
- Pagamento de despesas pessoais;
- Utilização de bens de alto valor;
- Indícios de recebimento de dinheiro em espécie.
A Polícia Federal ainda não divulgou detalhes completos sobre os valores individualizados das supostas vantagens atribuídas aos investigados.
Investigação segue sob supervisão do STF
Por envolver um senador da República, o caso tramita no Supremo Tribunal Federal. A nova fase da Operação Compliance Zero amplia o foco sobre possíveis relações entre agentes políticos e operadores do sistema financeiro.
Até a última atualização desta reportagem, a defesa de Ciro Nogueira não havia se pronunciado oficialmente sobre as acusações e as medidas determinadas pela Justiça.