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Polícia

Mulher é resgatada após oito dias em cárcere privado e agressões no interior do RN; vídeo mostra estado crítico em que a vítima foi encontrada

A mulher foi mantida em cárcere privado após tentar buscar pertences na casa do ex-companheiro, que a impediu de sair da residência  |  Reprodução: Internet

Publicado em 08/09/2026, às 10h59   Reprodução: Internet   Redação

Uma mulher de 37 anos foi resgatada pela Polícia Militar após passar oito dias mantida em cárcere privado, sob agressões e ameaças de morte feitas pelo ex-companheiro. O caso aconteceu na comunidade Torrões, na zona rural de Pau dos Ferros, no Alto Oeste do Rio Grande do Norte.

O resgate ocorreu na manhã desta segunda-feira (7), depois que a vítima conseguiu encontrar uma maneira de pedir ajuda sem ser descoberta. Mesmo com o celular sob controle do suspeito nos últimos dias, ela conseguiu acessar o aparelho escondida no banheiro e enviar mensagens para um amigo, que procurou a Polícia Militar.

Quando os policiais chegaram ao imóvel, encontraram a mulher amarrada, amordaçada e machucada dentro de um dos quartos da residência. O homem, de 41 anos, estava no local e tentou fugir durante a ação policial, mas acabou cercado e preso em flagrante.

Segundo a Polícia Militar, o suspeito já tinha contra si uma medida protetiva determinada pela Justiça, que estabelecia o afastamento da mulher.

Vítima foi ao imóvel para buscar pertences

De acordo com o registro da ocorrência, a mulher não morava mais na residência onde foi mantida presa. Ela havia ido ao imóvel apenas para buscar alguns pertences pessoais, mas acabou impedida de deixar o local pelo ex-companheiro.

A partir daquele momento, segundo o relato apresentado às autoridades, ela permaneceu no imóvel contra a própria vontade durante oito dias. Durante o período, teria sofrido agressões e sido submetida a ameaças constantes.

A vítima relatou ainda que teria sido dopada com medicamentos e mantida sob a ameaça de uma faca. O objeto teria sido utilizado pelo homem para intimidá-la e impedir qualquer tentativa de reação ou fuga.

Nos dois últimos dias antes do resgate, a situação teria se agravado. O suspeito retirou da mulher o acesso ao telefone celular, dificultando ainda mais qualquer tentativa de comunicação com familiares ou pessoas que pudessem ajudá-la.

Mesmo assim, ela encontrou uma oportunidade para acessar o aparelho de maneira escondida.

Pedido de socorro foi enviado pelo banheiro

A estratégia encontrada pela mulher foi utilizar o celular quando conseguia ir ao banheiro, longe da vigilância do ex-companheiro. Foi nesse momento que ela conseguiu enviar mensagens para um amigo e relatar que estava em perigo.

As mensagens chegaram ao conhecimento do 7º Batalhão da Polícia Militar por meio de capturas de tela. O conteúdo indicava que a vítima estava com medo de que a situação se agravasse e pedia que a polícia fosse acionada com urgência.

Em uma das mensagens, ela escreveu:

“Tô usando o Cel escondindo / Pra ele n ver / Quero ajuda d vcs / Pelo o amor de Deus [sic]”.

Em outro momento da conversa, a mulher explicou que não conseguia sair da residência e que estava sendo ameaçada pelo homem.

“Tô em uma ksa q n posso sair | Pq o cara n me dá chance d nada | Preciso sair com minhas coisas e ele n deixa | Só me ameaçando [sic]”.

A estratégia encontrada pela mulher foi utilizar o celular quando conseguia ir ao banheiro, longe da vigilância do ex-companheiro.

A vítima também pediu ao amigo que levasse “muita polícia” até o local. Segundo o relato repassado às autoridades, ela afirmou ainda que o ex-companheiro estaria utilizando o dinheiro de sua conta bancária para comprar drogas.

As mensagens foram fundamentais para que a Polícia Militar pudesse compreender a gravidade da situação e iniciar a operação de resgate.

Polícia teve dificuldade para localizar a casa

O atendimento da ocorrência começou por volta das 7h30, quando as capturas de tela das conversas chegaram ao 7º Batalhão. Um dos principais desafios enfrentados pelos policiais foi descobrir exatamente onde a vítima estava.

Segundo o subtenente Xavier, responsável pelo atendimento da ocorrência, a mulher não conseguia enviar a localização exata da residência pelo celular.

O policial explicou que, diante da gravidade das mensagens, a equipe passou a utilizar o conhecimento da região e informações de pessoas que poderiam auxiliar na identificação do imóvel.

Quando a gente viu o teor das mensagens, a gravidade dessa vez foi se encontrar em perigo iminente. Só que ela não conseguia mandar a localização exata da casa. Mas como nós conhecemos aqui a nossa área, a gente conseguiu através de amigos localizar exatamente a casa, a localização dessa dessa residência”, explicou o subtenente.

A partir da identificação do imóvel, os policiais organizaram o cerco para impedir que o suspeito deixasse o local.

Suspeito tentou fugir durante o cerco

Com a residência localizada, a Polícia Militar montou um cerco no imóvel. Quando os agentes chegaram, o suspeito e a vítima ainda estavam dentro da casa.

O homem tentou escapar pela parte dos fundos da residência, mas acabou interceptado pelos policiais. Ele recebeu voz de prisão e foi detido em flagrante.

A equipe entrou na casa e encontrou a mulher em um dos quartos. Ela estava amordaçada, amarrada e apresentava ferimentos, segundo o relato da Polícia Militar.

O ambiente também estava bagunçado, o que chamou a atenção dos policiais durante o atendimento da ocorrência.

O subtenente Xavier relatou como ocorreu o momento em que a vítima foi encontrada.

“Quando nós conseguimos localizar exatamente a essa vítima, a gente fez um cerco fez um cerco total à residência. Quando nós chegamos lá, a vítima e o acusado se encontravam na casa. Nós pedimos a vizinha para entrar na casa e encontramos a vítima totalmente amordaçada, toda amarrada e machucada em um quarto”, disse o policial.

Uma faca apontada como sendo utilizada nas ameaças também foi localizada e apreendida dentro da residência.

Medida protetiva já havia sido expedida

Além das denúncias feitas pela vítima durante o período em que permaneceu no imóvel, a ocorrência apresenta outro elemento relevante: segundo a Polícia Militar, o homem já estava submetido a uma medida protetiva de urgência que determinava que ele permanecesse afastado da mulher.

Mesmo com a determinação judicial, o suspeito teria mantido contato com a vítima e, posteriormente, a impedido de sair da residência.

A medida protetiva integra os mecanismos previstos pela legislação brasileira para preservar mulheres em situação de violência e evitar a aproximação de agressores ou suspeitos em casos nos quais exista risco à integridade da vítima.

No caso registrado em Pau dos Ferros, a Polícia Militar afirma que a ordem de afastamento já existia antes do episódio que resultou no cárcere privado.

Homem foi levado para a Delegacia

Após ser preso, o suspeito, de 41 anos, foi conduzido para a Delegacia de Polícia Civil de Pau dos Ferros. Durante o depoimento, ele optou por permanecer em silêncio.

Depois dos procedimentos policiais, o homem foi autuado e encaminhado ao sistema prisional. Ele permanece à disposição da Justiça e aguarda a realização da audiência de custódia, etapa na qual será analisada a situação da prisão.

A vítima também foi encaminhada para atendimento e prestou depoimento às autoridades responsáveis pela investigação.

O caso deverá continuar sendo apurado pela Polícia Civil, que poderá reunir novos elementos sobre as circunstâncias em que a mulher permaneceu presa, as agressões relatadas, as ameaças e o eventual descumprimento da medida protetiva já existente.

Resgate começou após pedido desesperado

A forma encontrada pela vítima para conseguir ajuda foi determinante para a atuação policial. Sem conseguir enviar a localização da casa e depois de ter perdido o acesso regular ao celular, ela aproveitou uma ida ao banheiro para entrar em contato com uma pessoa de confiança.

O conteúdo das mensagens indicava uma situação de risco e fez com que o amigo acionasse imediatamente a Polícia Militar. A partir das informações disponíveis, os policiais conseguiram identificar o imóvel e organizar a operação.

O caso terminou com a mulher retirada da residência e encaminhada para atendimento, enquanto o suspeito foi preso.

A ocorrência reforça a importância de pedidos de socorro feitos por vítimas de violência doméstica, inclusive quando a comunicação acontece de maneira discreta e sob risco de descoberta pelo agressor. No episódio registrado no Alto Oeste potiguar, mensagens enviadas escondidas foram decisivas para que a polícia localizasse o imóvel e interrompesse o período de oito dias de cárcere.

Classificação Indicativa: Livre


TagsViolência DomésticaCárcere privado