Polícia
Publicado em 19/06/2026, às 09h34 Malu Machado
A investigação sobre um dos casos mais chocantes de violência contra animais recentemente registrados no Rio Grande do Norte ganhou um desfecho. Uma mulher de 44 anos, moradora da zona rural de Marcelino Vieira, no Alto Oeste potiguar, foi presa preventivamente na tarde desta quinta-feira (18).
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A ação foi coordenada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), que identificaram uma rede de produção e comercialização de vídeos de crueldade explícita.
Diferente do início das apurações, quando o lucro com as imagens ainda era considerado uma hipótese sob sigilo, a força-tarefa confirmou que a investigada utilizava áreas restritas a assinantes para veicular agressões brutais, torturas e execuções de animais domésticos e silvestres de acordo com a preferência de seguidores que pagavam mensalidades.
De acordo com os relatórios do MPRN, a mulher mantinha canais ativos em plataformas digitais desde 2021, mascarados como conteúdos de rotina da vida no campo. No entanto, em fóruns e abas fechadas e pagas, ela comercializava conteúdos personalizados com forte teor de crueldade.
A investigação comprovou práticas brutais que incluíam:
A análise do comportamento da suspeita apontou indícios de zoosadismo - quando o indivíduo obtém prazer e satisfação psicológica com o sofrimento e a violência infligidos a animais.
A prisão preventiva foi requerida pela Promotoria de Justiça de Marcelino Vieira para garantir a ordem pública, interromper a continuidade dos crimes e proteger outros animais que pudessem virar alvo. O Poder Judiciário acolheu o pedido do MPRN, além de autorizar mandados de busca e apreensão e a quebra do sigilo de dados das contas virtuais da investigada.
Durante a prisão, policiais apreenderam os celulares e dispositivos de armazenamento da suspeita para recuperar as mídias originais. As plataformas digitais e empresas de tecnologia já foram notificadas judicialmente para entregar os registros de acessos, histórico de postagens e dados de pagamentos, o que deve ajudar a identificar também os assinantes que financiavam as torturas.
O caso veio à tona após denúncias de ativistas e defensores dos direitos dos animais no estado, ganhando forte repercussão quando o vereador de Natal Robson Carvalho expôs as imagens, acionou a Secretaria de Segurança Pública (Sesed) e registrou boletins de ocorrência.
Na época, a principal plataforma de vídeos removeu o canal aberto da suspeita do ar e a Polícia Civil abriu o inquérito sob sigilo. Com o avanço das técnicas de extração de dados e o endosso do grupo especializado do MPRN, as autoridades conseguiram reunir as provas financeiras e técnicas necessárias para tirá-la de circulação.