Polícia
Publicado em 11/02/2026, às 09h47 Reprodução internet Redação
A volta de Natacha Horana aos desfiles das escolas de samba de São Paulo, neste carnaval, ocorre sob forte repercussão pública.
Musa da Gaviões da Fiel, a atriz e dançarina de 33 anos havia passado quatro meses presa na Penitenciária Feminina de Franco da Rocha após ser detida, em novembro de 2024, no contexto da Operação Argento.
Ex-bailarina do Domingão do Faustão, ela agora classifica o retorno à avenida como um “renascimento” depois do que descreveu como um período traumático no cárcere.
O que diz a investigação
A apuração apontou suposto vínculo dela com Valdeci Alves dos Santos, o “Colorido”, natural do Rio Grande do Norte, apontado como integrante de liderança do PCC, Primeiro Comando da Capital.
Segundo o Ministério Público do RN, contas pessoais da dançarina teriam sido utilizadas em um esquema de lavagem de dinheiro.
Promotores afirmam que empresas ligadas ao investigado realizaram depósitos para Natacha. A defesa nega as acusações e sustenta que ela foi enganada pelo então companheiro, a quem conheceu como “Joaquim”, apresentado como empresário do ramo agropecuário.
A prisão preventiva foi revogada em março de 2025. Desde então, ela responde ao processo em liberdade.
A prisão de “Colorido” e o contexto do caso
Valdeci Alves dos Santos está custodiado na Penitenciária Federal de Brasília. Ele é investigado por lavar mais de R$ 23 milhões e foi apontado como braço-direito de PCC no Nordeste, ligado a Marcola.
Foragido por quase dez anos, teria realizado cirurgias plásticas na Bolívia para alterar a aparência.
A prisão ocorreu em abril de 2022, no sertão de Pernambuco, durante uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal.
Mesmo com documentos falsos, ele foi identificado por biometria facial enquanto viajava com a dançarina.
Pontos que embasaram a denúncia
O relacionamento entre os dois durou cerca de três meses. Nesse período, segundo a investigação, Natacha realizou ao menos quatro visitas à Penitenciária de Segurança Máxima de Brasília, registros que fundamentaram o pedido de prisão feito pelo Ministério Público.
Ela é acusada de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e organização criminosa. A defesa sustenta que não havia conhecimento sobre a real identidade do companheiro e que não houve participação consciente em qualquer esquema financeiro.
O retorno à avenida
Integrante da Gaviões desde 2021, a dançarina afirma que este desfile tem significado de estreia. No ano passado, segundo relato, a fantasia estava pronta, mas a expectativa por um habeas corpus durante o recesso do Judiciário impediu sua participação.
Agora, de volta ao Sambódromo do Anhembi, ela tenta retomar a carreira artística enquanto busca provar a inocência no processo judicial.