Polícia
O Primeiro Comando da Capital (PCC) ampliou sua atuação econômica no Brasil, investindo em negócios legais e ilegais, o que representa uma mudança significativa em suas operações tradicionais de lavagem de dinheiro.
As investigações revelam que a facção está envolvida em empresas que prestam serviços ao governo, além de atuar em setores como transporte coletivo e combustíveis, com um faturamento anual estimado em R$ 10 bilhões.
Operações policiais recentes, como a Operação Carbono Oculto, identificaram o controle do PCC sobre usinas e postos de combustíveis, enquanto condenações por fraudes em contratos públicos associadas à facção continuam a ocorrer, evidenciando a profundidade de sua infiltração na economia.
Investigações recentes revelam que o Primeiro Comando da Capital ampliou significativamente sua atuação econômica no Brasil, com recursos identificados tanto em pequenos negócios quanto em grandes empresas.
As apurações indicam que a facção passou a investir diretamente em atividades lícitas, indo além da tradicional lavagem de dinheiro.
Há registros de envolvimento em firmas que prestam serviços ao poder público, franquias, empreendimentos ilegais na Amazônia e empresas no interior de São Paulo.
Empresas de ônibus e setor de combustíveis na mira
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, há indícios de participação do PCC em empresas de transporte coletivo que atuaram na capital paulista.
As investigações também apontam para a compra de usinas sucroalcooleiras no âmbito da Operação Carbono Oculto, que apura a presença de pessoas ligadas à facção em diferentes etapas da cadeia de combustíveis.
O promotor Lincoln Gakiya, integrante do Gaeco, estima que o faturamento anual da organização criminosa chegue a R$ 10 bilhões.
Expansão internacional e domínio de rotas do tráfico
O PCC se consolidou como um dos principais grupos do tráfico de drogas da América do Sul, com atuação em países produtores de cocaína, envio de entorpecentes para a Europa e a África e alianças com organizações estrangeiras, como a máfia italiana ’Ndrangheta.
A expansão ganhou força a partir de 2016, após a morte de Jorge Rafaat Toumani, quando a facção passou a dominar a chamada “rota Caipira”, que liga Paraguai, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Amazônia, contravenção e fraudes
Além da rota Caipira, a facção também atua na rota do Solimões, utilizando grupos locais e, em períodos de seca, até helicópteros para o transporte de drogas.
Outras fontes de renda incluem atividades de contravenção, como jogos ilegais, golpes financeiros por telefone e internet, além de fraudes em licitações públicas.
Operações policiais já identificaram esquemas de lavagem de dinheiro em casas de apostas, lojas de carros de luxo e empresas de transporte público.
Condenações e operações recentes
Em 2024, a Operação Fim da Linha investigou a empresa UPBus, apontada como ligada a líderes do PCC. Já em julho de 2025, a Justiça condenou Vagner Borges Dias por liderar um esquema de fraudes em contratos públicos associado à facção, envolvendo diversos municípios paulistas.
Na Operação Carbono Oculto, autoridades afirmam que uma organização ligada ao PCC controla desde usinas sucroalcooleiras até postos de combustíveis e lojas de conveniência.
Em uma das redes investigadas, com cerca de 200 estabelecimentos, foram encontradas bombas adulteradas e fortes indícios de lavagem de dinheiro.
Principais achados das investigações
- PCC investe diretamente em empresas legais
- Atuação identificada em transporte público e setor de combustíveis
- Faturamento estimado em R$ 10 bilhões por ano
- Expansão internacional do tráfico e alianças com máfias estrangeiras
- Uso de contravenção, golpes e fraudes em licitações como fontes de renda
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