Polícia
Publicado em 13/01/2026, às 12h04 Reprodução internet Redação
Uma investigação de grande alcance sobre o uso irregular de emendas parlamentares voltou a avançar nesta terça-feira (13), com novas medidas judiciais e financeiras determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
A ofensiva integra a 9ª fase da Operação Overclean, que apura um esquema de corrupção estruturado para desviar recursos públicos e lavar dinheiro por meio de contratos administrativos.
A ação é conduzida de forma conjunta pela Polícia Federal, pela Controladoria-Geral da União e pela Receita Federal.
Mandados e bloqueio de valores
Segundo a Polícia Federal, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados da Bahia e no Distrito Federal. O principal alvo desta etapa é o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA).
Em decisão judicial, o STF também determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas.
A medida busca interromper a circulação de recursos de origem ilícita e preservar ativos para eventual ressarcimento aos cofres públicos.
Crimes investigados
De acordo com a PF, os envolvidos poderão responder por uma série de crimes, entre eles:
- organização criminosa;
- corrupção ativa e passiva;
- peculato;
- fraude em licitações e contratos administrativos;
- lavagem de dinheiro.
Como começou a Operação Overclean
A primeira fase da Overclean foi deflagrada em 10 de dezembro de 2024, com foco no direcionamento de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares e convênios para empresas e pessoas ligadas a prefeituras da Bahia.
Na ocasião, a Polícia Federal revelou que o esquema contava com o apoio de agentes de segurança, que repassavam informações sensíveis e sigilosas à organização criminosa, incluindo dados sobre diligências em andamento.
Ainda nas fases iniciais, a investigação contou com o apoio da Homeland Security Investigations, agência dos Estados Unidos, para apurar o desvio de recursos públicos em operações com ramificações internacionais.
As suspeitas indicavam superfaturamento de obras e desvios que podem ter movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão, atingindo diretamente o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, especialmente na coordenadoria da Bahia. Por determinação judicial, oito servidores públicos foram afastados naquele momento.
Avanço das fases recentes
A operação continuou se expandindo ao longo de 2025:
- Junho de 2025 (4ª fase): afastamento de dois prefeitos baianos —
Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira (Ibipitanga)
e Alan Machado (Boquira);
- Julho de 2025 (5ª fase): apuração de manipulação de licitações
e desvio de emendas no município de Campo Formoso,
com bloqueio de R$ 85,7 milhões;
- Outubro de 2025 (7ª fase): afastamento cautelar de um agente público,
com mandados cumpridos na Bahia e em Arraial do Cabo (RJ);
- Fim de outubro (8ª fase): cinco mandados de busca e apreensão
em Brasília, São Paulo, Palmas e Gurupi (TO).
A 9ª fase da Operação Overclean reforça o alcance nacional da investigação e mantém sob pressão um esquema que, segundo os investigadores, envolveu múltiplos agentes públicos, contratos fraudulentos e bilhões em recursos públicos desviados.