Polícia
Publicado em 15/08/2026, às 13h18 Foto: Andressa Anholete Ranyere Fonseca
No ano de 2025, a manutenção de cada detento no sistema prisional do Rio Grande do Norte custou, em média, R$ 2.855,00 por mês. O valor ficou acima da média nacional, de R$ 2.637,75, e representou um montante quase duas vezes maior do que o salário mínimo vigente no país à época (R$ 1.518,00). Ao longo de todo o ano passado, o estado destinou um orçamento total de R$ 362.684.804,00 para gerir suas unidades fabris e presídios.
Os números fazem parte do painel Custo do Preso, atualizado pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). No cenário nacional, as despesas totais com o sistema carcerário bateram recorde e atingiram R$ 26,7 bilhões em 2025. O estado do Amapá registrou o maior custo por detento do país (R$ 4.512/mês), enquanto o Paraná teve a menor despesa (R$ 1.529/mês).
Especialistas apontam que o aumento contínuo nos gastos públicos não se traduz necessariamente em eficiência ou redução da criminalidade. Para Leonardo Sant’Anna, especialista internacional em segurança pública, a conta do aprisionamento envolve uma rede complexa que vai muito além do espaço físico da cela.
"Existem presídios que realmente carecem de recursos básicos, mas o problema nacional não se aplica apenas à falta de dinheiro. O Estado ainda está investindo muito mais em prender e manter as pessoas sob custódia do que em impedir que elas retornem ao sistema depois que são soltas", analisa Sant'Anna, alertando para o risco de insustentabilidade fiscal do modelo reativo.
Já Felippe Angeli, coordenador de advocacy da organização Justa, pondera que o aumento contínuo de penas e o privilégio por ações ostensivas sem investimentos preventivos na base da sociedade acabam por realimentar o ciclo da violência.
"Se a gente desse saneamento, educação e oportunidade para o jovem, talvez seja um investimento que, no fim das contas, vai nos fazer economizar no outro lado da ponta", conclui Angeli.