Polícia
Publicado em 31/05/2026, às 11h08 Foto: Agência Brasil Ranyere Fonseca
Quem acompanha o noticiário policial certamente já percebeu que uma sigla específica tem carimbado as maiores operações do país: FICCO. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado tornou-se a principal arma do Estado brasileiro para fazer frente ao Primeiro Comando da Capital (PCC), ao Comando Vermelho (CV) e a outras dezenas de organizações que hoje operam com estrutura empresarial e capilaridade internacional.
A força-tarefa baseia-se em um modelo de cooperação permanente que reúne, em uma mesma mesa de inteligência, agentes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Penal, além de setores de inteligência das secretarias estaduais de segurança pública. A estratégia partiu de uma constatação prática das autoridades: nenhuma instituição consegue combater isoladamente grupos criminosos que controlam rotas internacionais de cocaína, disputam fronteiras e lavam milhões de reais cruzando as divisas dos estados.
O fortalecimento das FICCOs pelo território nacional acompanha uma mudança profunda na estratégia de enfrentamento ao tráfico. Se durante décadas o foco das polícias esteve centrado na apreensão de carregamentos de drogas e em confrontos armados, o alvo atual mudou para a desestruturação patrimonial e financeira das facções.
Investigações recentes lideradas pelas forças integradas revelaram um nível sofisticado de lavagem de dinheiro. Para integrar o capital ilícito ao sistema financeiro formal, os criminosos deixaram de usar apenas contas bancárias de "laranjas" e passaram a controlar redes de postos de combustíveis, empresas de reciclagem, fintechs (bancos digitais), plataformas de apostas e até fundos de investimento.
A eficiência do cruzamento de dados tem se mostrado avassaladora: uma informação obtida por policiais penais dentro de um presídio pode rastrear, em questão de horas, ordens de pagamento enviadas a operadores financeiros escondidos em condomínios de luxo ou favelas de outros estados.
A eficiência do modelo reflete-se em megaoperações de escala nacional. Em março deste ano, uma ação coordenada pelas FICCOs em 15 estados resultou no cumprimento de mais de 100 mandados de prisão e 181 de busca e apreensão. Recentemente, a Operação Força Integrada II elevou o sarrafo ao cumprir 263 mandados judiciais, resultando na captura imediata de 82 lideranças e operadores das facções.
O trabalho dessas forças ganhou ainda mais relevância internacional nesta semana. O governo dos Estados Unidos classificou oficialmente o PCC e o Comando Vermelho como "organizações terroristas estrangeiras". Na prática, a medida congela bens dessas facções em solo americano, restringe o uso do sistema bancário internacional pelo crime organizado brasileiro e joga ainda mais holofote sobre as investigações de inteligência financeira coordenadas pelas FICCOs.